.UM DESERTO EM TI
No teu íntimo um deserto fecundo
Onde o tempo voa silenciosamente
E teus passos deslizam na imensidão
Solidão, palavra presente, solidão tua
Tua presença desenha um novo oráculo
Que indicando os caminhos de meditação
Produz no deserto outras novas miragens
Santuário, fragrâncias de essencial oração
A brisa serena te ensina novas melodias
As notas te consolam e sentes teu ser
Numa ausência onde sempre retornas
Para te perderes naquela imensidão
Num abraço suave o vento te possui
Oásis se abrem nos teus sentimentos
Tua sede se confunde com raios de luz
Por mais um momento a solidão flui
O deserto é teu, também é teu o só
A fonte, a sede que nasce no teu ser
O clamor por amor, sim, tua emoção
É teu o rio do outro lado, a explosão
Tua alma fluida e feminina, sôfrega
Jorra fontes em perfeito descompasso
Em nuances de luz e sombras, realçam
Rastros da alma, de paz, de cor, de amor
Alcides Ramos, inspirado no poema “Há um deserto” de Graça Canhao