Cyd Ramos

sábado, 29 de agosto de 2020

ansioso

 Ansioso

Alcides Ramos
23/08/2020
Te mandei uma mensagem
Você viu e não respondeu
Sabe que sou ansioso
Horroroso o que você fez
Vou aguardar a resposta
Porque da próxima vez

Eu vou subir o morro
E vou pedir socorro
Eu vou soltar foguete
Vou lhe mandar bilhete
Eu vou tocar um sino
Pra chamar sua atenção

E quando a noite cair
Eu bato no seu portão
Entrego o meu coração
Num ramalhete de flor
Fico à sua disposição
Não se assuste meu amor

Se você manda mensagem
Eu respondo sem pensar
Sabe que eu sou ansioso
Sou pegajoso talvez
Não lhe deixo esperando
Assim como você fez

herói ou vilão

 Herói ou vilão

29/08/2020

Quero ver o que escreves
Espio de longe leio palavras
Não quero mostrar-me intruso
Mata-me a minha curiosidade
Será que falas de mim?
Ou de outrem, esse amor! Esse tesão, esse calafrio
De onde vem a inspiração?
Café esfria, torradas queimam
Na mesa nossos pensamentos
Um olhar longe, tua formosura
A distância impacta meu ser
Devoro tua respiração, teu ar Meço cada meio sorriso
Inquieto-me, um olhar sobre mim
Pelos arrepiam, imploro
mais momentos na cama
As palavras que me faltam
Sobram nos teus escritos
Histórias de amor, ódio
Anunciam um vai-e-vem das vidas
Que dá a luz a cada manhã
Imagino-me personagens
Inspiração para poemas
Ou um contraponto, malvado Montado em cavalo negro
Galopando os teus sonhos
Cobrindo teu corpo, amor Capa negra, teu despertar Mãos amarradas, miro-te
Desvio meus pensamentos
Por um instante fui alguém
No teu livro esquecido

se me segues

 Se me segues

29/08/20

Se me vês sumir assim
Mesmo advertindo-me
Da solidão da cidade
Não me peça para parar
Não me estenda as mãos

Se teus olhos, meu espelho
Embaçados com teu hálito
Etílico de um novo amor
Ainda assim me veem saindo
Rindo da solidão da cidade
É muito bom que me segues
E que sentes meu odor, vês
Multiplico minhas imagens
Nos olhos de estranho amor

Se planejas tudo de mim
Que minha poesia caia
Ruas e praças a alagar
E encha os rios e o mar
Será mais fácil navegar

domingo, 16 de agosto de 2020

Dendicasa


"Baby, tô em casa"

Baby, está tudo cinza lá fora
Ruas vazias sem crianças a brincar
Sem carros passando, motoristas xingando
Será o final dos tempos? Acho que não
Baby, a minha vontade é de ir lá fora gritar
Cortar o silêncio que me apavora
Contar pra todo mundo que tudo passou
Que o inimigo já se foi, que nada acabou
Baby, estou precisando ouvir sua voz
Vê se me liga, vamos falar de nós
O seu telefone está sempre ocupado
Já nem sei o que faço, me sinto isolado

Talvez eu nem esteja mais nesse lugar
Que as pessoas escolheram pra gente ficar
As horas não passam nesse isolamento
Baby não esqueça dos nossos momentos
Fique em casa, fique em casa, só o que ouço
A mídia só aumenta mais o alvoroço
Será que um dia essa fase vai passar?
E vamos poder a cada um abraçar?

Me liga, me chama, me faz ficar feliz
Me diga que é hora de me acalmar, baby
Me convença, um dia tudo volta ao normal
Eu já não mais aguento esse amor virtual

Me liga, me chama, me faz ficar feliz
Me diga que é hora de me acalmar, baby
Me convença, um dia tudo volta ao normal
Eu já não mais aguento esse amor virtual

Nova rotina

 Nova rotina

Você fica linda
com minha camisa social
os botões fora de lugar
ah meu Deus
acho que esse isolamento
vai nos fazer bem
O mundo está confuso
o inimigo à espreita na esquina
planos de futuro esquecidos
forçamos mudar nossa rotina
no fuzuê que está a mídia
os homens perdem o fio da meada
sem esperanças
sem armas pra guerra
ou divididos
por não pensarem em nada
Mas você
com os cabelos molhados
após seu banho matinal
sem maquiagem
tão natural
ah meu Deus
acho que esse isolamento
vai nos fazer bem

Alcides Ramos
criado em 05/05/2020

Armadilhas

 Armadilhas

Alcides Ramos 17/06/2020


Já te fiz muitas poesias
Desnudei-me em palavras de amor
Montei muitas armadilhas
Te peguei, mas você voou
E hoje você não vem
Esfrego meus olhos para não chorar
Arrumei um laço
Te fiz um altar
Preparei um abraço para te dar
O frio que corta meu corpo
As taças com o vinho a te esperar
A porta entreaberta
O incenso no ar
Você não vem
Nem uma mensagem dizendo olá
Você está fazendo de forte
Jurou até a morte, não ia me deixar
Agora as minhas armadilhas
Parece que vão caducar
Talvez eu esteja exagerando
Mas o meu amor é muito urgente
Se você não vem
Se você mente
Meu corpo sente
Ah, eu acho que vou chorar
Vou beber, esquecer
Vou viver, me encontrar
Se você não vem
Amanhã a outro alguém
Seus poemas vou dedicar

Sanfona triste

 Sanfona triste

Alcides Ramos 15/06/2020


E lá no céu uma sanfona
Recebe o nosso guerreiro
Que foi colhido na lavoura
Mas que plantou o amor primeiro
Maria para de socar pilão
Respeite o luto de sua tia
Também não precisa varrer o chão
Maria para e vê se entende
Nossa agonia
O vírus veio para colher os bons
Trabalhadores para uma nova era
Que vão preparados pra uma missão
Querubins com as flores
Levam nossos amores
Ah, meu Deus, por quê tanta dor
Nessa nossa separação
Quem só fez o bem nesse torrão
Só espera da vida compensação
Mas na hora de comer o pão
Anjos vem chegando pra buscar
Na frente dos bois sou candieiro
Com a coroa de flores na mão
Atrás vem nenhum companheiro
No carro de boi o caixão
Ê boi!
Ê sanfoneiro!
E lá no céu uma sanfona
Recebe nosso companheiro!

Sacode chocalho

 Sacode chocalho


O sangue não tem cor
Vê se me entende senhor
Vá de retro pra lá
Com seu discurso de rancor
A terra não é plana
Ela é circular, seu marmota
Gira em torno de si
Só não gira em sua volta
Você não é o sol
Você não é a lua
Você não é nenhum planeta
Sai pra lá fica na sua
Boiadeiro se não é bom
Sempre deixa a desejar
Pra salvar a sua pele
Joga a boiada no mar
A boiada vai passando
A ignorância também vai
As águas vão clareando
Amor entra e ódio sai
Eu saio brincando de roda
Levantando as mãos pro céu
Estumando a verdade
E da mentira tirando o véu
Ê sacode o chocalho
Toque sanfona e bata tambor
Ao invés de arma ofereça flor
Abrace a paz e tenha amor

Fraturas

 Fraturas


O dia cinza lá fora
Você da janela a espiar
O Sol escondido
O amor perdido
O calendário pendurado na parede
Com os dias para serem riscados
O corpo doído
Um osso fraturado
A mancha no olhar
O roxo no maxilar
Você se pergunta o porquê
Das coisas ficarem assim
Era tanto amor
Que não tinha fim
Talvez porque o primeiro tapa
Tivesse algo de sedução
Ciúmes por coisa tão pouca
Você ficava louca
De paixão
O álcool nas noites sombrias
Os diversos tapas, as unhas de então
Soluços contidos
Gritos reprimidos
Perdão

Um leve toque

 Um leve toque


Fechei os meus olhos
para sentir tuas mãos
tocando minha alma
com maestria insana

Senti na pele o pulsar
insistente de teu corpo
acendendo o meu fogo
para teu ato de entrega

Perdi o controle da vida
e deixei que a explosão
do prazer me acalmasse
até meu último suspiro

Já me faltava vida agora
no instante de te querer
quando num leve toque
descubro sim que te amo

Como se fosse a primeira vez

 Como se fosse a primeira vez

Ela comprou o vinho
Ele arrumou a cama
Ela preparou a mesa
Ele encheu a banheira
Se olharam
Sorriram
Roupas caíram
Ele descobriu as sardas
Nas costas e nuca
Ela a cicatriz
Nas nádegas
Se descobriram
Uniram-se
Longo beijo
Amaram-se

Translate

Cyd Ramos, textos, músicas e poesias