Não sou daqui!
Sou de lá,
de outro lugar,
terra estrangeira,
onde água negra escorre.
Paris, te amo!
Antes, na Central do Brasil,
hoje, na estrada
escrevo diários de motocicleta.
Meu olhar câmera
flutuante, desconcertante,
desnuda almas vacilantes,
procurando linha de passe,
nesse abril despedaçado.
Face à estas ruínas
com pó de lama,
a arte me chama,
clama por justiça,
me esgana, me engajo,
me mato, desato, deságuo
num gozo final.
Alcides Ramos
18/04/2017