Cyd Ramos

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Desaceitação

Desde o malfadado dia que saí de tua vida,
Que minha inspiração não consigo encontrar.
Fumo, bebo, ando pelas montanhas e nada.
Sou poço vazio, jardim sem flor, céu sem ar.

Mais um soneto garboso queria te oferecer.
Mesmo que te encontres enamorada agora,
E continues como sempre, a me repudiar.
Bem sabes quantos te dediquei outrora.

Não te perdi pois na verdade nunca te tive.
Nem adeus te dei pois comigo não estiveras.
Continuaste sempre ausente sempre austera.

A minha alma de poeta que te elegera musa,
Com a tua desaceitação, nunca se importou,
Desfez-se em versos, sofreu, chorou e amou.








quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Um adeus

Anuncio que sairei de tua vida.
Teus caminhos abertos deixarei,
Bem iluminados, olorados e livres
Dos espinhos que neles encontrei.

Que eu volte a usá-los, não esperes.
Caminhos outros esperam por mim.
Desbravador como sempre apresento,
Das aventuras, faço das trilhas um fim.

Não deixes que qualquer um te ame,
Nem que sujes os caminhos teus/meus.
Também não previnas de outro adeus.

Apascenta teu coração das mágoas,
Para que eu saia sem sentir uma dor
E tu fiques livre para um outro amor.


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O dia seguinte

Defronte ao espelho não mais me reconheço.
Ao longe, sinto seus olhos me observando.
Expio meus pecados, balanço meus cabelos,
Assim como se tudo fosse uma única reação.

Afrouxo minhas roupas, lentamente me dispo.
Observo cada marca deixada de nossa noite,
Meus lábios inchados e olhos desalentados
Corpo, alma, pensamentos em inquietação.

Deixo que meus olhos lentamente se fechem,
Minhas mãos suaves são você me tocando
E no espelho uma outra imagem que não vi.

Acordo, assusto, corro para a janela da rua
Tudo vazio, luzes fracas iluminam casas,
Um espelho, roupas espalhadas, e eu ali.



segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Último verso à Musa Muda

Mais uma vez dirijo-me a você musa muda
Estendo-lhe tapetes ofereço-lhe flores mil
Danço, canto, rio, despenco-me em versos
Pus seu nome no meu peito, você nem viu

Beijei o laço de fita que caia da sua janela
Pois acreditei extensão dos seus pés beijar
Fiz promessas, rezei ladainhas, salmodiei
Roguei aos anjos e santos pra lhe domar

Admito algumas condições impostas
Desde que a mim seu amor se renda
Sua indiferença o desejo transcenda

Mas se ainda assim você me desobrigar
Cairei na farra e outras musas cantarei
Exilo-lhe! E do peito o seu nome tirarei





domingo, 25 de janeiro de 2015

Desassossego

Permita-me olhar nos teus olhos
Denunciar, ainda podes me amar
Desejo-te inerte e resfolegando
Coração frio e tonto a palpitar

Peço-te não forçar tua natureza
Por si só, deixe a resposta soar
Fluir como água em um riacho
Buscando os caminhos do mar

Ah, esse desassossego iminente
Impele-nos demandar consciente
Réplicas do ato de amar e amar

Hoje, as palavras não me cativam
Pois elas, teu amor não exprimem
Perdoe-me, não as posso aceitar




sábado, 24 de janeiro de 2015

Lamentos excruciais

A falta tua, já não sinto mais nem menos
Desconheço onde estejas, não me importa
Meus olhos já estão límpidos, estou sóbrio
Livre estou, não há saudade, está morta

Mas ainda lembro-me um de nossos dias
Contemplando as nuvens que dançavam
Mãos entrelaçadas, arrepios e tremores
Corpos suados, mel, lábios encontravam

O sol, testemunhava escondido e aflito
Palavras desconexas e movimentos vis
Corações descompassados, mundo feliz

Sem despedidas e lamentos excruciais
Morte ao tempo, sacrossantos momentos
Renegados e vilipendiados por nós mortais



sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Se deixares de me amar

Quando estiveres cansada de mim
Os meus carinhos não quiseres mais
Enlaça-me com teus braços fortes
E com teus lábios toque minha testa

Que não me queres mais não digas
Apenas deixe que eu sinta a frieza
Do beijo de adeus que me destes
E do olhar distante a mim lançado

Separe as minhas coisas sem dó
Feche a porta do nosso quarto
Destrua o nosso porta retrato

Me entenda se isso a ti postulo
É que de amor não quero sofrer

Nem depender de tu para viver

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Palavras pra morte

Só corro em busca de sol
Nem de dó nem de amor
Fui ingrato e inconstante
Distribuí fúteis cartas
Inteiro ao pó retornarei
Sem dó de minha tristeza
Assim posso me sentir
Eu que chorei muitas vezes
Me fiz rasteiro e retirante
Nó na garganta detido
Condenei fui condenado
Em um labirinto despótico
Se chorei não choro mais
Digitando futuro enlace
Me conformei em ser só
Em inexplicável carteado
Não me leves ao pé da vida
De lágrima inerte retida
Desprezado mal amado
Mas ainda é muito cedo
Terço minhas mãos postas
Cinzas num céu sem cor
Como a terra me será leve
Nada de bom me faltará
Viver é indecifrável fado


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

5

Por que insistes me indicar direção
Se nas vezes que a ti me anuncio
Recusas despropósitos que são
Tortos caminhos que a ti propicio
Declino de tuas recomendações
Como abdicas propostas minhas
Caminho tonto e vagueio roto
Canto amor que outrora tinhas
Ainda assim me anuncias calado
Forjando opiniões a meu favor
Caminhos e luzes se acendem
Dissimulo um verso moldado
Cantando devaneios de amor
Outra vez sonhos a ti rendem

4

Permito-me
Recostar
No
Teu
Peito 
Fraterno
Com
Minhas
Lágrimas
Umedecer
Tuas
Vestes
Numa
Ladainha
Debulhar
Meus
Problemas
Embriago-me
No
Teu
Perfume
Me
Acalmo
Cabelos
Desalinhados
Em
Tuas
Mãos
Adormeço
Tudo
Acaba
Em
Paz
Jamais
Esqueço

3

Vou navegar no teu corpo
Me impregnar do teu cheiro
Beijar cada marca tua
Deixar que me leve o medo
Vou me entregar nos teus braços
E corromper teus desejos
Molhar minha boca em teus lábios
Contar meus maiores segredos
Nos meus braços te carregar
Compartilhar tua languidez
Ser só teu, te namorar
No nosso sono, juntos sonhar
Fazer da paz eterno vício
E novamente amar, amar!

Bloco do Zé Pereira

Lá vem o Zé pereira
Lá vem o Catitão
- Mãe, tô com medo!
- Sê bobo minino, é de verdade não!
Lá vem o Zé Pereira
Lá vem o catitão
- Oia o Capeta mãe! Cruz credo!
- É bunito, né fio?
- Né não mãe, é feio dimais!
Passando o Zé Pereira
Boi da cara preta
- Cê viu o boi fio? E o cavalero?
- Eles só tem dois pé, mãe? É alejado?
Passa o Zé Pereira
Dança, povo, banda
- Dança fio! Cê ainda ta com medo?
- Tô não mãe! Eles tão ino imbora!
Lá vai o Zé Pereira
Lá vai o batidão
- Tá com sono fio?
- Tô com medo de durmi, mãe!
- Medo de que minino?

- De sonhá!!!!

...

Vou navegar no teu corpo
Me impregnar do teu cheiro
Beijar cada marca tua
Deixar que me leve o medo
Vou me entregar nos teus braços
E corromper teus desejos
Molhar minha boca em teus lábios
Contar meus maiores segredos
Nos meus braços te carregar
Compartilhar tua languidez
Ser só teu, te namorar
No nosso sono, juntos sonhar
Fazer da paz eterno vício
E novamente amar, amar!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

musa II

I
Refiro
Me
A
Ti
Musa
Idolatrada
II
Beijo
Teus
Pés
E
Tua
Face
III
Entoo
Louvores
Às
Tuas
Qualidades
IV
Recolho-Me
Ao
Meu
Canto
Se
Presente
V
Se
Ausente
Esqueço
Quem
Eu
Sou
VI
Nada
Importa
Desde
Que
Me
Tenhas






quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

I
Musa
Muda
Surda
Poeta
Auto
Falante

II
Você
Passa
Descompasso
Me
Em
Versos

III
Rude
Senhora
Não
Me
Vê
Porquê?

IV
Desfaço-Me
Em
Rimas
Você
Nem
Liga

V
Danço
Conto
Piadas
Nem
Assim
Ri

VI
Agora?
Finjo
Que
Não
Lhe
Vi!



terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Que ser é você?

Que ser é você que me leva
Leva o meu canto e a poesia
Que ser é você me responda
Me diz pra onde vai me levar

Que ser é você que me indica
Caminhos mistérios e saídas
Me diz em que canto devo ficar
Me diz que canto devo cantar

Você me conhece sabe da minha vida
Conhece meus sonhos minhas poesia
Conhece meu mundo e quer me levar

Me compele me expulsa e me agarra
Maltrata, beija, me amassa e me leva
Pra onde eu não sei precisa explicar

Que ser é você?

aldravias

Você
Decide
O
Que
Lhe
Define!

...

Mandaram
Me
Aproximar
De
Você
Amei!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

II

Por que insistes me indicar direção

Se nas vezes que a ti me anuncio

Recusas despropósitos que são

Tortos caminhos que a ti propicio

Declino de tuas recomendações

Como abdicas propostas minhas

Caminho tonto e vagueio roto

Canto amor que outrora tinhas

Ainda assim me anuncias calado

Forjando opiniões a meu favor

Caminhos e luzes se acendem

Dissimulo um verso moldado

Cantando devaneios de amor

Outra vez sonhos a ti rendem

Poema sem título

Já cansei de investigar tua origem
Deixo-me maleável nos braços teus
Reservo-me contenção da vertigem
Denuncio-te poesias e cantos meus

Acreditar que um dia virá a tona
Respostas concisas de teu início
É repetir sem ênfase uma antífona
De versículo, de canto ou de vício

Tu conheces toda minha vida
Sabes de minha pura essência
Explora ativo os sonhos meus

Em silêncio tu me conduzes
Para uma outra existência
Sem indicar os planos teus

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Cyd Ramos, textos, músicas e poesias