Cyd Ramos

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Truculência

Eu me calo 
diante de tanta truculência, 
sei que como muitos, 
não deveria esquivar-me das tentações. 
Mas se defendo de um lado, 
ataco o outro, 
se amo ou odeio um, 
o outro é atingido. 
Não tem como amar todos? 
Não tem como descobrir 
o sentido da vida 
e ser simplesmente feliz? 
Também sou truculento, 
às vezes, 
preciso me vigiar!

aqui estou

você não está só 
muitos choram como você 
sofrem da mesma forma 
achando que tudo está perdido
que viver não faz mais sentido 
mas não
tem muita gente que nos ama
muitos que nos quer bem
que irão sentir nossa falta
chorarão junto com a gente
nos oferecerão colo e ombros
aí então
antes de tomar qualquer atitude
respire fundo, cante uma canção
eleve seu pensamento para o alto
e, se precisar de alguém como eu
venha, pode vir, aqui estarei

Cavalgada

Me encontro nas montanhas azuis
cavalgando um cavalo escarlate 
Meus cabelos em desalinho 
agarram-se aos ramos de alecrim
que insistem em odorar meu desalento
Procuro não pensar onde chegar
pois meu coração sangra de dor
Quero apenas sentir este vento
esperar que te arrependas
e venha correndo para me alcançar
antes que me encontre no precipício
Pois lá eu desistirei de ti
Deixarei o cavalo
Cortarei os cabelos
caminharei de volta
Para uma nova vida

Desacerto





No que você está pensando? 
Eu penso que sou de trevas 
pois que não consigo sorrir
de ironia mostro os dentes
mas de amor? O que é isso? 


Não me venha com elogios
sei bem o que tem em mente
seu coração parco de idéias
lançam emoções frequentes

Sou estranho ou sou sofrido?

Sim, tenho minha culpa nisso
canso-me fácil da labuta árdua
discordo dos distintos destinos
porta larga para uns, estreita sim
para outros, nenhuma para viver


Não quero morrer sem me ser

nova criação

Penso muitas vezes que sou de luz
raios luminosos rasgam meu ser
penetram no subconsciente de outrem

conscientemente explorando cavernas
dividindo meu tempo de sobra no bem


Escalo montanhas escuras e frias 
deixando pegadas profundas nas pedras
carregando o limo que porventura tenha
e sopro o espírito no ouvido do vento
fingindo ser Deus em nova criação

No pomar de frutos secos proibidos
jogo novas sementes grávidas de luz
pela terra úmida com minhas lágrimas
amasso a argila para a nova inspiração
e durmo estendendo o dedo indicador

Observo os meus bonecos de corda
movimentando erroneamente na caixa
sofrendo com golpes de giz e carvão
solto neles nova neblina com as mãos
com os pés esmago a cabeça do dragão

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