Publicações de textos e poemas de autoria de Alcides Ramos, o oficial.
Cyd Ramos
segunda-feira, 9 de dezembro de 2019
Anjo
domingo, 22 de setembro de 2019
Natal
.
Banhei-me na cachoeira azul-mar
E indiquei aos reis magos a direção
Esperei que eles entrassem na gruta
E espantei os porcos que ali estavam
O pastor amedrontado com a luz
Correu léguas em minha direção
Prostrou-se enfim diante de Jesus
Chorou, sorriu e abriu seu coração
Porcos sujos se atiraram ao mar
Luzes brilhavam bolas de neve
As pastorinhas vieram cantar
Galo cantou, boi mugiu, cão au au
Borboleta pequenina que me leve
Pra cantar, nesta noite de natal
Se me segues
.
Se me vês sumir assim
Mesmo advertindo-me
Da solidão da cidade
Não me peça para parar
Nem me puxe com tuas mãos
Se teus olhos meus espelhos
Embaçados com teu hálito
Etílico de um novo amor
Ainda assim me vês saindo
Rindo da solidão da cidade
Gosto de saber que me segues
E que sentes meu odor
Multiplico minhas imagens
Nos olhos de estranho amor
Se sabes mesmo tudo de mim
Deixe que essa poesia entorne
Se escorra nas ruas e praças
E encha os rios e o mar
Será mais fácil navegar
Mutação
.
Em frente ao espelho
Começo minha mutação
De lentes vermelhas
Eriço minhas sobrancelhas
Com as faces sombreadas
Na boca um batom
Enroupo uma negra capa
E ponho alguns anéis
Gargalho sem sentir
Você na minha tragédia
Encontro um punhal
Sujo de sangue da virgem
Que se jogou da janela
Pois não queria ser virgem
Eu ia casar com ela
No quarto as marcas da luta
Unhas cravadas na parede
Cama fora de lugar
Celular pedindo socorro
Sorrindo corro escada abaixo
Espero o corpo no chão espatifar
Gotas de sangue na minha capa
No tempo
.No tempo
A xícara de chá sobre a mesa
Tuas trêmulas mãos
Tentam em vão um carinho
O aroma invade o ambiente
Não existo neste sublime momento
Apenas tuas divagações, teu olhar
No vazio que penso existir em ti, ris
Uma leve esperança me excita
Um beijo em tua face, lágrimas caem
Em profundos soluços, te explodes
O chá esfria, frios são teus lábios
Que tentam retribuir o beijo, choro
Com nossas faces úmidas
Como a indagar o tempo, rimos
Gargalhamos muito, nova explosão
Uma dança frenética se inicia, gritos
Nossos corpos balançando pra lá,
Pra cá, uma dor de existirmos assim
Suados e cansados, desabamos
Na cadeira nossos melhores momentos
Fito teus olhos, não me vejo neles
Desviados para uma formiguinha
Sedenta de um chá frio, tendo
Trêmulos dedos esmagam o inseto
Com incomum força, cai a xícara
Tapas os ouvidos, escândalo agora
Os cabelos em desalinho, casa a dentro
Janelas se fecham, luzes se apagam
Na escuridão clamas por morte, sol
Tão desatento
.
Canto tão desatento que tento sorrir
Quando canto teus versos de amor
Grito palavras de estímulo mas rimo
Com as cores frias de uma aquarela
Danço apressado os compassos em si
E corto meus pulsos enquanto tu ris
Sou a solidão numa praça de eventos
Sangue seco de raiva na boca do cão
Sou vício enrustido no subconsciente
Estou consciente de minha inspiração
Solfejo notas sílabas de tua partitura
A tempo de medir a minha loucura
Cantando em sol o que me consome
Teu nome santo na minha boca vil
Tu leste o futuro em minhas mãos
Momentos que teu corpo me sentiu
Sou barco à deriva, sou nau sem rumo
Sou palavra viva, sou droga sou fumo
Canto apavorado que como o que diz
Na letra, amor tenho urgência ser feliz
Acelero a melodia como rajadas de luz
Torcendo meus dedos no peso da cruz
Aldravias invisíveis
.
Meu
Anonimato
Você
Todos
Os
Dias
Solidão
Invisível
um
Olhar
No
nada
Amor
olhos
Invisíveis
Babá
Nana
Nenê
Poema
Invisível
na
Rua
Devoram
Migalhas
Violento
Não
Rico
Portão
Poesia
invisível
Pacto
Assustador
Invisível
Limpando
Seu
odor
salas-de-aulas
invisíveis
seres
pactos
de
morte
invisíveis
olhos
paisagens
secretas
corpos
escondidos
mãos
estendidas
bolsa
pesada
instante
invisível
recolhendo
passos
invisível
cata
poesia
entornada
jardim
majestoso
flores
cuidadas
invisíveis
mãos
criança
dormindo
invisível
colo
amor
maternal
armas
apontadas
morros
invisíveis
pedem
socorro
tristeza
concreta
invisíveis
seres
alimentam
turistas
beco
invisível
vida
sufocada
morte
anunciada
portão-eletrônico
invisível
espera
um
não
irônico
invisíveis
drogam-se
qual
nosso
papel?
Seda?
Orgasmos
Apressados
Invisíveis
Corpos
Cumplicidade
Monetária
estranho
Amor
Lixo
invisível
Rico
saciado
sorriso
esperado
gentileza
comprada
via
invisível
lindas
paisagens
suculentas
iguarias
povo
invisível
Os invisíveis
.
Poema
Invisível
na
Rua
Devora
Migalhas
Violento
Não
Poesia
Invisível
Rico
Portão
Pacto
Assustador
Invisível
Limpando
Seu
odor
salas-de-aulas
invisíveis
seres
pactos
de
morte
invisíveis
olhos
paisagens
secretas
corpos
escondidos
mãos
estendidas
bolsa
pesada
instante
invisível
recolhendo
passos
invisível
cata
poesia
entornada
jardim
majestoso
flores
cuidadas
invisíveis
mãos
criança
dormindo
invisível
colo
amor
maternal
armas
apontadas
morro
invisíveis
pedem
socorro
beco
invisível
vida
sufocada
morte
anunciada
portão-eletrônico
invisível
espera
um
não
irônico
invisíveis
drogam-se
qual
seu
papel?
Seda?
Orgasmos
Apressados
Invisíveis
Corpos
Cumplicidade
Monetária
estranho
Amor
Rico
lixo
invisível
saciado
angústia
secreta
fala-se
muito
vive-se
menos
momento
invisível
mãos
sujas
narinas
talentosas
arte
invisível
corpo
em
Cruz
Sangue
In black é bom
In Black é bom
Seu novo traje de festa
In Black é bom
Quem é que te faz brilhar
A lua ou o sol
A estrela ou farol
Você tem brilho próprio
Levante as mãos
Não há quem fique na fossa
In Black é bom
Quem é que te faz sonhar
O amor ou paixão
A flor, sedução
Ou sonha comigo
In Black é bom
Desvendar
.Em um lençol de linho branco
envolvi teu corpo seminu, sei
é apenas uma lembrança, vive
dentro de mim, e todo homem
quem aceita como seu Salvador
percorro ladeiras em ladainhas
dedilho um rosário canto hinos
espalho o perfume de alecrim
o incenso incendeia as mentes
as mentiras minhas sementes
choro copiosamente sem ver
minhas vestes sujas de sangue
derramo meu óleo perfumado
nos pés de meu amo, e senhor
confesso meus pecados, alguns
outros tenho vergonha de dizer
mato meus medos, minto sofrer
cruzo os dedos, sujos de sêmen
sementes de vida, linda de ver
minha cabeça explode, muitos
pensamentos para um só ser, eu
quero me calar, as palavras nuas
explodem em estrelas cadentes
um dia verei a glória, a história
é muito mistério para desvendar
Amor em aldravias
morrer
de
viver
amor
por
você
lua
escorrendo
mel
nossos
lençóis
marcados
saborear
novo
amanhecer
leite
língua
mel
novo
roseiral
teu
perfume
sem
flor
entrega
generosa
encontro
amor
terra
fértil
vela
acesa
vinho
derramado
sangue
virginal
cama
posta
corpos
ardentes
sêmen
derramado
ave
planadora
gozo
carnal
clímax
matinal
amo-te
sem
fronteiras
tatuo-te
na
pélvis
histórias
de
amor
contemplando
nossas
ruínas
lábios
umedecidos
pequeno
grande
língua
agitada
falando
de
amor
falo
ereto
faço
sementes
azuis
terra
fértil
encontros
carnais
perder-se
num
olhar
olhar
procurando
perder-se
invento
amores
urgentes
encontro-me
num
divã
corpos
olhos
coração
fome
de
ternura
nosso
amor
cortinas
escondem
nossos
fantasmas
imperativo
amar
cartas
escondidas
flores
mortas
passos
inseguros
coração
tonto
paixão
fenecedora
fica
comigo
agora
dê
adeus
amanhã
amar
ah
mar
tão
lindo
você
você
verbo
amar
conjugo
conclamo
amo
ofereço
flores
meus
amores
pago
favores
azul
céu
mar
suave
mente
amar
eu
céu
você
mar
juntos
amar
depois
do
amor
amoroso
mar
vivo
amar
depois
partir
parto
de
dor
amo-te
muito
amo-me
muito
mais
amor
tu
és
mar
um
mar
doce
tens
em
mim
sou
em
ti
ontem
amor
eterno
hoje
cama
vazia
verti
lágrimas
d’amor
esvaziei-me
de
mim
tua
boca
minha
saliva
nosso
beijo
suave
viver
regaço
tranqüilo
amor
eterno
felicidade
sim
amor
também
dá
samba
amar
sem
preconceito
cara
ou
coroa
onde
sara
ferida
amor
sem
medida
cálidos
beijos
tua
boca
na
minha
tanto
amar
eu
a
ver
navios
plante
amor
ódio
não
dá
flor
seja
amor
flor
que
se
cheira
tanto
amar
eu
saco
de
pancadas
sinfonia
particular
notas
que
te
amo
rapto
teus
olhos
olho
para
mim
boa-noite
amor
durma
minh’alma
treme
suspiro
sinfonia
d’amor
si
la
ama
mi
sinfonia
de
paz
partitura
de
amor
sonhos
de
paz
sopro
de
amor
paraíso
celestial
anjos
tortos
também
amam
quinta
quinta-feira
repetidas
vezes
te
amo
casa
comida
roupa
lavada
caso
antigo
mar
de
amor
você
ignorou
secou
vinho
velas
cama
velo
teu
sono
no
princípio
nada
olhaste-me
amor
abundância
amei
amaste-me
tiraste
meu
espelho
perdeste-me
sorrisos
afagos
silencioso
jogo
de
amor
cama
posta
vela
acesa
adeus
jamais
amor
ontem
hoje
adeus
sinfonia
triste
sinfonia
vazia
notas
sobre
nossa
cama
ontem
amei-te
hoje
rezo
por
mim
dança
silenciosa
pactos
eternos
momentos
extravagantes
desejos
quentes
pacto
terno
música
frenética
decorei
expressões
difíceis
esqueci
te
amo
eu
silêncio
você
fuga
nós
adeus
não
levo
comigo
saudades
apenas
dor
rasgando
suas
cartas
enterro
suas
juras
procurando
teus
olhos
encontro
um
adeus
inertes
teus
lábios
fogem
do
beijo
queimo
lençóis
nossas
marcas
de
amor
refiz-me
em
aldravias
você
não
viu
desfiz-me
em
versos
você
não
leu
onde
havia
flor
hoje
tristeza
dor
caiu
no
esquecimento
mais
lindos
momentos
onde
havia
risos
hoje
só
gargalhadas
uma
cama
vazia
altar
sem
oferendas
aldraviando
nas
nuvens
anjo
me
beija
muito
mais
que
musa
meu
amor
beijo-te
mãos
pés
face
e
boca
estendo-te
tapetes
faço-te
reverências
me
humilho
você
iluminou-me
ciumento
sol
se
esconde
pecado
não
disse
te
amo
omissão!
numa
metade
amor
noutra
metade
também
vinho
derramado
sangue
em
nossos
lençóis
tua
cama
um
altar
eu
oferenda
em
guerra
comigo
falo
de
amor
amor
antes
amor
durante
amor
sempre
meu
sorriso
amarelo
ilumina
seu
dia
chama-me
de
amor
vínculo
de
perfeição
queima
sol
vem
queimar
meu
desamor
beber
poesia
semear
amor
colher
saudade
esquecer-te
tarde
demais
pra
isso
amo-te
missão
secreta
amar
uns
aos
outros
amar
mar
maré
amaremos
mareamos
amamos
te
elegi
me
elegeste
somos
um
beijos
ardentes
abraços
quentes
amor
incandescente
tarde
te
amei
estavas
em
mim
sobre
amoroso
coração
danças
com
salto
amor
trem
mineiro
nervoso
comichão
uai
olhei
fugiste
olhaste
fugi
amor?
morte!
mais
amor
por
favor
abraços
anexos
na
dúvida
ama-me
um
pouco
mais
costela
flor
anjo
amor
mulher
valor
encontro-me
em
solos
de
velhas
partituras
tu
te
encontras
noutras
notas
musicais
pediste
pedi
perdeste
perdi
perdão
perdemos
permito-me
recostar
no
teu
peito
fraterno
embriagar
no
teu
perfume
me
acalmar
tarde
demais
amo-te
não
me
regenero
embora
piegas
continua-se
achando
lindo
amar
flor
amizade
amor
regue
carregue
recarregue
pensando
no
amor
vivendo
nas
alturas
taças
vasos
vinho
flor
amor
carinho
amando
escandalosamente
esculpe-se
tragédias
nas
estrelas
desfalecem
olhos
no
contato
das
línguas
faces
enrubescidas
lábios
se
tocam
trocam
amou
sofreu
escreveu
coitado
do
poeta
sorriso
tímido
brotou
teus
lábios
beijei
Nas tuas páginas
.
Nas tuas páginas
De: Alcides Ramos
Canto tão desatento que tento sorrir
Quando canto teus versos de amor
Grito palavras de estímulo mas rimo
Com as cores frias de uma aquarela
Danço apressado os compassos em si
E corto meus pulsos enquanto tu ris
Sou a solidão numa praça de eventos
Sangue seco de raiva na boca do cão
Sou vício enrustido no subconsciente
Estou consciente de minha inspiração
Solfejo notas sílabas de tua partitura
A tempo de medir a minha loucura
Cantando em sol o que me consome
Teu nome santo na minha boca vil
Tu leste o futuro em minhas mãos
Momentos que teu corpo me sentiu
Sou barco à deriva, sou nau sem rumo
Sou palavra viva, sou droga sou fumo
Canto apavorado que como o que diz
Na letra, amor tenho urgência ser feliz
Acelero a melodia como rajadas de luz
Torcendo meus dedos no peso da cruz
Que a loucura me seja dada agora ou
Me seja retirada toda a forma de sentir
Teus olhos dentro de meu espírito nu
Teus anéis de santidade na tua cabeça
Ou a tua formosura em me dar amor
Espalho roupas sujas sobre nossa cama
Transformando tudo num palco sem cor
Recebo meu personagem de outrora
E te desafio e me aceitar no teu livro
Como um bendito entre os tantos
Que lutam por um lugar no seu sol
Cravo as unhas na minha carne
E devoro cada gosto de teu beijo
Dado em horas impróprias sim
Pois se fossem horas oportunas
Não tinham ficado em mim o sabor
Cruzo pernas para esconder marcas
Teus dentes afiados após tua língua
E finjo que nunca tive nada contigo
Pois, te amar será o maior perigo
Então abra logo este teu livro maldito
Expulse teu companheiro donde está
E me aceite para ocupar este lugar
Que minha loucura seja boa e breve
Que tua inspiração seja louca e leve
Toada de Natal
.
Ó meu filho estou indo pra missa
Vou rezar pra papai do céu
Espantar a tua preguiça
Te dar vida de pão e Mel
Ó meu filho vamos rezar
Pra senhora da Conceição
Para abrir teus caminhos pro mar de alegria
Serenar o teu coração
a vida sem Deus é nada
a vida com Deus é viver para amar
a vida sem Deus é nada
a vida com Deus é viver para amar
todo mundo quer ir pro céu
frutos colhe quem sabe plantar
plante flor e tu vais receber a flor
plante amor e o mundo vai te amar
meu menino ajoelha e reza
vai chegando a procissão
vem na frente a bandeira do Santo divino
que serena teu coração
a vida sem Deus é nada
a vida com Deus é viver para amar
a vida sem Deus é nada
a vida com Deus é viver para amar
Vida
.
Vida
Por que sonhar com a morte, querida?
Estirar-se em tapetes de flores assim?
Não, não partirás tão cedo dessa vida
Te ordeno, sonhe com o amor sem fim
Se te enamoras com molduras do céu
Emoldura-te em vida, o mal vai passar
Abra-te altares, retira de ti este véu
Sonhe com vida, deixe a vida brotar
Os teus amores estão numa nave?
Roube deles o desejo de mais viver
Decole agora de ti mesma vida suave
Por que insistes em me entristecer?
Se te apegas em um sonho tão grave
Quando o amor te pode entorpecer?
A margem de cá
.
Sinto que me encontro à margem de mim mesmo
Me vejo expectador de um espetáculo interativo
No qual minhas experiências são fracas marionetes
Que tentam em vão ensaiar a última peça teatral
Meu corpo insuportavelmente pesado dói muito
Numa poltrona que me obriga a ver sem interesse
As cordas esticadas nas mãos de um manipulador
Preciso desnudar-me do que me vestiu até aqui
Dizer obrigado e tentar atravessar sozinho o rio
Descobrir o que me aguarda na outra margem
Um barco vazio desce lentamente a margem de cá
Trazendo as cartas e as respostas de uma consulta
Um mágico sim, um não e um irritante talvez, ai!
Como a dúvida me divide o tempo todo, outro ai!
A margem de lá atrai o barco na minha frente
Preciso decidir se entro nele ou deixo que as cartas
Sigam seu caminho induzindo outros consulentes
Não posso ficar à margem de meu destino, embarco!
Banana não tem caroço
.
Esse descontentamento
não se sabe o porquê
essa busca incessante
de ocupar um vazio
deixado também
não se sabe por quem
lágrimas petrificadas
teimosa em não cair
presa no canto dos olhos
esperando a fonte jorrar
os potes estão cheios m
os sacos também
toquem os sinos
blem blem blem
anjos não dizem amém
ninguém sabe a que vem
descontas um terço
a terça feira se foi
mais um dia além
previsão das cartas:
banana não tem caroço!
Natal
.
Um menino nasceu, viva, viva!
Todo dia nasce um menino, e daí?
Mas este menino é muito diferente
Ele nasceu no circo, vai nos fazer rir
Outro menino nasceu, viva, viva!
Hahahaha, e daí, conte logo o resto
Mas este é muito diferente de todos
Nasceu político, vai ser muito honesto
Todo ano, todo mês, todo santo dia
Um menino espera pra nascer
Para trazer paz, amor, vida, alegria
Um menino vai nascer, queres ver?
Sim, como vejo esse novo menino?
Olhe no espelho e verás um novo ser
Mortes no porão
.
Envelheço timidamente na janela
raios de sol tingem minha alma
costurando alguns fios teimosos
e ajeitando aqueles já cansados
Na mente as imagens não vividas
que teimam em se fazer presente
buscam as cicatrizes improváveis
deixadas no desenrolar dos anos
Mato uma morte todo momento
e escondo todos corpos no porão
com medo de que eles ressuscitem
e como zumbis venham me buscar
Com os dedos trêmulos me acaricio
as rugas não correspondem o ato
desato os nós dos parcos cabelos
lágrimas teimosas anunciam cair
Longe campos macios se avistam
um lugarzinho monótono e morno
esperando seu provável condômino
manquitolando aponto o fim da fila
Incompleto
.
Incompleto, isso é o que sou
chuto as águas do mar, bebo
admiro a lua que exuberante
risca o céu com unha nova, e
fico tentando descobrir rostos
nas nuvens que se formam, de
acordo com ventos que secam
as gotas d’água do meu peito
meu coração chora um sonh
meus olhos batem o ponto, de
cada dia na janela de minh’alma
que busca desesperada a corda
acordo após a missa e encontro
cálice transbordando o resto, do
vinho, do sangue, do suor! Choro
aperto os botões do elevador, e
elevando as mãos para o céu, um
a um, os pingos das lágrimas caem
na túnica branca de meu batismo
percebendo a minha nudez, baixo
meus olhos, desço minhas mãos
tapo minha ignorância imunda
e imerjo nas águas profundas
depositando meus pecados, e
traço lua nova espelho de flor
talvez minh’alma transcenda, e
me completo na nova estação
Um leve toque
.Um leve toque
Fechei os meus olhos
para sentir tuas mãos
tocando minha alma
com maestria insana
Senti na pele o pulsar
insistente de teu corpo
acendendo o meu fogo
para teu ato de entrega
Perdi o controle da vida
e deixei que a explosão
do prazer me acalmasse
até meu último suspiro
Já me faltava vida agora
no instante de te querer
quando num leve toque
descubro sim que te amo
Um Rock- perdi
.Um rock
Perdi o sim
Perdi o não
Perdi o sim, o não, talvez
Perdi o nexo da sensatez
Perdi, perdi, perdi
Perdi o controle da negação
Perdi meu tempo de gratidão
Perdi o bote de salvação
Eu perdi o resto da inocência
Perdi metade da paciência
Perdi um pouco de minha essência
Da história que eu perdi
Não explicava a realidade
Foi maquiada com sedução
Manipulada pelo patrão
Perdi, perdi a receita
Para ser sempre um bom partido
Me misturar com gente bacana
E só negar, negar, negar
Perdi, perdi, perdi
Perdi o toque do coração
Perdi o resto da minha lição
Perdi o céu, o mar, o ar e o chão
Mas encontrei você
Repete quantas vezes quiser
Minha lua
.És sim a minha lua
Sou teu sol
Teu escravo
Mas te prendo em mim
Não me libertas
Pois sou céu de estrelas azuis
Te acompanho nos teus passos
Sou parça
Juntos somos vastos
Unidos de corações partidos
Sou vida, vida és
Imensos na dor
De ser amador
A dor de se afogar
No amor de ser
Só
Alcides Ramos, inspirado no poema de Luma C. Souza, publicado em 02/07/2019.
Um deserto em ti
.UM DESERTO EM TI
No teu íntimo um deserto fecundo
Onde o tempo voa silenciosamente
E teus passos deslizam na imensidão
Solidão, palavra presente, solidão tua
Tua presença desenha um novo oráculo
Que indicando os caminhos de meditação
Produz no deserto outras novas miragens
Santuário, fragrâncias de essencial oração
A brisa serena te ensina novas melodias
As notas te consolam e sentes teu ser
Numa ausência onde sempre retornas
Para te perderes naquela imensidão
Num abraço suave o vento te possui
Oásis se abrem nos teus sentimentos
Tua sede se confunde com raios de luz
Por mais um momento a solidão flui
O deserto é teu, também é teu o só
A fonte, a sede que nasce no teu ser
O clamor por amor, sim, tua emoção
É teu o rio do outro lado, a explosão
Tua alma fluida e feminina, sôfrega
Jorra fontes em perfeito descompasso
Em nuances de luz e sombras, realçam
Rastros da alma, de paz, de cor, de amor
Alcides Ramos, inspirado no poema “Há um deserto” de Graça Canhao
Eu no teu livro
.Eu no teu livro
Alcides Ramos
Ando querendo ver o que escreves
Espio de longe para ler uma palavra
Mas não quero mostrar-me intruso
E minha curiosidade mata-me assim
Será que falas de mim? Ou de outrem
Esse amor, esse tesão, esse calafrio
De onde vem tanta, tanta inspiração?
Café esfria na xícara, a torrada queima
Em volta da mesa nossos pensamentos
Teu olhar longe aumenta tua formosura
A distância que há nele impacta meu ser
Devoro cada respiração, cada meio sorriso
Inquieto-me com um olhar sobre mim
Meus pelos arrepiam, por dentro imploro
Alguns momentos a mais na nossa cama
As palavras que faltam em minha mente
Sobram nos teus escritos, no teu tecer
Histórias de amor, nas longas mensagens
Que se anunciam no vai-e-vem das vidas
Criadas a cada manhã após o nosso café
Imagino-me personagem de teus contos
Inspiração para os lindos poemas de amor
Mas no mesmo instante, sou o contraponto
O malvado montado em um cavalo negro
Galopando ao redor de teus sonhos, beijo-te
Cubro teu corpo com minha capa negra, rio
Espero o teu despertar de mãos amarradas
Implorando mais amor desse teu impiedoso
Desvio meus pensamentos e torno a mirar-te
Por um instante fui alguém, especial ou fútil
Mas na pressa de acabar o livro fui esquecido
No tempo
.No tempo
Alcides Ramos
A xícara de chá sobre a mesa
Tuas trêmulas mãos, tamborilam
Tentam em vão um carinho
O aroma invade o ambiente
Não existo neste sublime momento
Apenas tuas divagações, teu olhar
No vazio que penso existir em ti, ris
Uma leve esperança me excita
Um beijo em tua face, lágrimas caem
Em profundos soluços, te explodes
O chá esfria, frios são teus lábios
Que tentam retribuir o beijo, choro
Atônitos, com nossas faces úmidas
Como a indagar o tempo, rimos
Gargalhamos muito, nova explosão
Uma dança frenética se inicia, gritos
Nossos corpos balançando pra lá,
Pra cá, uma dor de existirmos assim
Suados e cansados, desabamos
Na cadeira nossos novos momentos
Fito teus olhos, não me vejo neles
Desviados para uma formiguinha
Sedenta de um chá frio, tenso
Trêmulos dedos esmagam o inseto
Com incomum força, cai a xícara
Tapas os ouvidos, escândalo agora
Os cabelos em desalinho, casa a dentro
Janelas se fecham, luzes se apagam
Na escuridão clamas por morte, sol
Processo de criação
.Processo de criação
Alcides Ramos
Fecho os olhos e lá está ele
Terno preto, olhar distante
Na sua frente uma cadeira
Atrás, mesa, vaso de flores
Sobre a cadeira uma caneca
O líquido quente se evapora
Dele, evaporam os sentidos
Fita o público, fita a caneca
Tenta em vão movimentar-se
Tem sede, o vapor aumenta
Sua ânsia de beber algo, pega
Sorve devagar aquele líquido
Música acaba, tensão expande
A depressão, vista, anunciada
Vívida, na fala do escritor, fala
Lê, soletra, incitando as reações
Por um instante, ator e persona
Interação, inteiros numa ação
A leitura flui, pânico se desfaz
Depressão? Por hora, torna tema
Adormecida! Criação toma lugar
Música volta, flores distribuídas
Fim da atuação, intenso matutar
Se me segues
.Se me segues
Se me vês sumir assim
Mesmo advertindo-me
Da solidão da cidade
Não me peça para parar
Nem me puxe com tuas mãos
Se teus olhos, meus espelhos
Embaçados com teu hálito
Etílico de um novo amor
Ainda assim me veem saindo
Rindo da solidão da cidade
Gosto de saber que me segues
E que sentes meu odor
Multiplico minhas imagens
Nos olhos de estranho amor
Se sabes mesmo tudo de mim
Deixe que minha poesia entorne
Ruas e praças a alagar
E encha os rios e o mar
Será mais fácil navegar
Alcides Ramos
O ciclo
.O ciclo
Sei muito bem o que é isso
Que não queres o meu mal
Não queres me ver sofrendo
Com o copo nas mãos, rindo
Dançando só no meio da pista
Não queres que eu vista, sei
Minha roupa de artista, linda
Que só pode me fazer brilhar
Não queres me ver sorrindo
Com as sombras produzidas
Com os mil sóis que encontro
Nas minhas noites perdidas
Não queres me ver na turma
Que se esconde nos becos
Se encontram nos butecos
Pra filosofar amores secos
Nota-se que me queres bem
Há muitos caminhos a apontar
Coisas boas a me aconselhar
Os fatos acontecidos contigo
Mas sei bem que hoje comigo
Não os farei muito diferente
A vida foi e será sempre assim
Não tem como vivê-la pra mim
Ela
.Ele viu as taças de vinho
Os lençóis marcados
O banheiro molhado
Sentiu o cheiro
Dos perfumes
Dos cigarros
Do suor
Sorriu
Encostou no corpo nu
Mordeu a nuca
Conferiu a pele arrepiada
Soprou nos ouvidos
Amou
Ele
.Ela viu a garrafa de vinho
As taças sujas
As roupas no chão
O banheiro molhado
O creme dental sem a tampa
Tampa do vaso levantada
Sentiu o cheiro do shampoo
Do creme de barbear
Sorriu
Pegou o outro travesseiro
Colocou-o entre as pernas
Apagou a luz
Dormiu
Amor desmedido
.Como se fosse a primeira vez
Ela comprou o vinho
Ele arrumou a cama
Ela preparou a mesa
Ele encheu a banheira
Se olharam
Sorriram
Roupas caíram
Ele descobriu as sardas
Que ela tinha nas costas e nuca
Ela descobriu a cicatriz
Que tinha nas nádegas dele
Se descobriram
Uniram-se num longo beijo
Amaram-se
Bordando sonhos
Bordando sonhos
Alcides Ramos
Esperava ansiosamente por ele
Sentada na varanda, bordava
Imaginou seu amor, pele bronze
Cavalo branco, cabelos amarrados
Bordou sua imaginação, dormiu
Manhã seguinte, tropéu de cavalo
Cavaleiro amarra cabelos, riso
Vida invadida, invadido seu dia
Ela não sonha mais, pé na cozinha
Pé na sala, pé na cama, muito suor
Não sai, não vê a lua, nem as estrelas
Seus bordados abandonados, sua fé
Seus peixes saudosos, flores chorosas
Cama desfeita, corpos marcados, dor
Outro dia, cavalo selado, cabelo amarrado
Ele perfumado, sai a galopar, ela senta
Esquece a cama, o perfume, o amor
Pega o bordado, vê que está parado
Desmancha o homem, cavalo, cabelo
Borda a chuva, o sol, as flores ao redor
Os peixes a nadar, a lua a lumiar, o mar
Um altar, oferendas que faz, borda a paz
Bordou nova vida, dormiu, sonhou, amou
A artesã
Podia bordar já sua própria vida, sim
bordou uma xícara de café, queijos
um pão fresquinho e manteiga, flor
botou-os sobre a mesa, saboreou-os
empanturrou-se, agora u'a nova rede
antes de se deitar pensou nele, sede
bordou-o seminu nas mãos um leque
abanando lentamente seu amor, calor
cerrou os olhos, sentiu-se beijada, e
um arrepio na pele, mãos molhadas
uma vontade louca de chorar, gritar
pensou bordar uma manta, branca
debaixo dela dois corpos nus, tesos
luz apagada, manta branca mancha
não conseguiu bordar os gemidos
mas marcas das unhas nas costas
uma rosa vermelha e um coração
La Pietá
La Pietá
E numa imagem envelhecida
As tuas mãos a me guiar
Nos passos sórdidos da dança
De um amor a se acabar
E lá no céu a lua mansa
Risca o início de outro amor
Lua nova lua dança
Num cenário de terror
Ô La Pietá
Meu corpo morto no teu colo
E tu finges me beijar
Ô La Pietá
Meu coração já desfalece
Se te negas me beijar
E vimos nas fotografias
O grande amor distanciar
O teu olhar que parecia
Os nossos passos acertar
E nossas pernas num bailado
Não disfarçam nossa dor
E no álbum evidencia
As nuances desse amor
Ô La Pietá
Meu corpo morto no teu colo
E tu finges me beijar
Ô La Pietá
Meu coração já desfalece
Se te negas me beijar
Quarto vazio
Sentou-se na varanda e ficou observando o beija-flor que visitava o último hibisco amarelo que se abrira.
Um leve arrepio nos braços, correu para o quarto a procurar um agasalho, lá estava ele! Por que havia nos seus olhos tanta dúvida? A moldura do porta-retrato, corroída por cupins, mostrava o tempo que tinha passado.
De súbito correu a destrancar o quarto que ficara fechado desde o trágico acidente! A corda ainda dependurada no caibro do telhado sem forro, balançou com o vento que a acompanhou.
Chorou!
Ainda tinha dúvidas a respeito da vida!
Ele vem
- Hoje ele vem!
Com esse pensamento ela correu para a cozinha matutando no que fazer para esperá-lo. Lembrou de todas as comidas que ele gostava de comer e ... esqueceu!
- Meu Deus! E agora? Se ele vier e não tiver nada aqui para ele comer? Não me lembro como fazer nada!
Correu para pegar as chaves e ir para o portão para ver o carro novo dele. Sentou-se no meio-fio e ficou olhando para o final da rua...
-Ele vem!
Esqueceu o que estava fazendo ali sentada, uma chuva fina e fria começava e o final da rua cobriu-se de neblina.
- Ele vem!
A chuva foi ficando forte, os cabelos brancos, molhados, escapuliam da touca feita de meia fina. A enxurrada carregando o lixo descia pelas calçadas, ela viu um barco, depois uma estrela cadente, umas crianças brincando de roda, um marinheiro carregando um porquinho, um sol muito amarelo, uma vela... esqueceu.
Fechou o portão, entrou para debaixo do chuveiro de agua quente, chorou muito!
- Se ele vier amanhã vou fazer um bolo de chocolate!
Eu vi o caos
eu vi a fumaça, vi o fogo
me senti impotente
diante das enormes labaredas
vi mata sendo devastada
pasto virando cinza
animais correndo
morrendo
vi
o sentimento que me envolve
um misto de raiva, medo e dor
uma certeza de que tudo vai mal
de que tudo caminha para um fim
um fim incorrigível, um túnel sem luz
homens bons, homens maus, homens
seus descendentes doentes, sem futuro
...
eu vi com estes olhos
o caos!
Encontro marcado
Encontro marcado
Alcides Ramos
Você e eu no camarim, choramos
Meus olhos pregados no espelho
Esperam a hora certa das lágrimas
Tudo, como esperado se anuncia
Minhas vestes, seus trejeitos, rio
Cada detalhe seu vemos em mim
Faço uma careta, você me reprova
Pedindo que não exagere demais
Mas minha vaidade é muito maior
Quero brilhar sob as luzes, gargalho
Outra reprovação sua, e, fico bravo
Estou representando você, não o sou
A irritação toma o controle, você ri
Minha vontade é quebrar o espelho
Maquiagem se desfaz, tento limpar
Dizendo que é assim mesmo, você
Apaga as luzes, não me vejo, respiro
Suas mãos me guiam até o palco
Sentado no trono, ainda no escuro
Ouço a respiração do público, luzes
Você entra em mim, agora o sou
Por uma hora sua tragédia se expõe
Soluços se ouvem, cortinas fecham
Gritos, aplausos, assobios, catarse
Em frangalhos, voltando só, choro
Diante do espelho, eu, um batom
Saudades de nossas brigas, escrevo
Espero-lhe amanhã às vinte horas
terça-feira, 30 de abril de 2019
reciprocidade
quando encontramos pessoas que nos entendem,
que nos fazem sentir bem
com nossos defeitos e qualidades.
Pessoas que nos fazem enxergar
a vida como ela é
e mesmo quando não concordamos com elas,
refletimos de forma a tomarmos nossas próprias decisões. Amo pessoas assim,
são poucas as que tenho contato,
mas que me são de extrema importância.
Pessoas normais,
com um monte de defeitos
mas também de muitas qualidades.
Tento ser assim,
nada melhor que a reciprocidade!
Amor demais
de alguém que não se importa quem você é
ou um dia o foi.
Amor sem reservas,
sem frescuras,
sem compromisso,
sem cobrança,
um amor universal.
Eu quero este Amor,
quero sentir amado sem ter que dizer te amo,
sem ter que me comportar politicamente correto.
Quero ter a certeza que alguém vela por mim,
onde quer que eu esteja.
Quero ver o sol brilhar,
a lua enternecer
e as estrelas cintilarem como vagalumes fazendo amor. Quero pegar a rosa
e oferecer à primeira pessoa que encontrar no caminho. Quero agradecer a vida.
Passos
O cheiro forte de manjericão
Sombrias senhoras de preto
Almas nobres em expiação
De púrpura repousam na paz
Nos ombros dos velhos irmãos
A morte repete o abraço desfaz
Deus , de novo o mataram!
Da noite no silêncio dos passos
Senhoras com cheiro de morte
Dedilham rosários purpúreos
Manjericão roxo velhos tempos
Ombros irmãos levam almas
Expiação se repete no abraço
Não, Deus não está morto!
“Por quem dobram os sinos ?”
Passos lacrimosos
envolvi teu corpo seminu, sei
é apenas uma lembrança, vive
dentro de mim, e todo homem
que aceita como seu Salvador
percorro ladeiras em ladainhas
dedilho um rosário canto hinos
espalho o perfume de alecrim
o incenso incendeia as mentes
as mentiras minhas sementes
choro copiosamente sem ver
minhas vestes sujas de sangue
derramo meu óleo perfumado
nos pés de meu amo, e senhor
confesso meus pecados, alguns
outros tenho vergonha de dizer
mato meus medos, minto sofrer
cruzo os dedos, sujos de sêmen
sementes de vida, linda de ver
minha cabeça explode, muitos
pensamentos para um só ser, eu
quero me calar, as palavras nuas
explodem em estrelas cadentes
um dia verei a glória, a história
muito mistério para desvendar.
Envelhecendo na janela
raios de sol tingem minha alma
costurando alguns fios teimosos
e ajeitando aqueles já cansados
Na mente as imagens não vividas
que teimam em se fazer presente
buscam as cicatrizes improváveis
deixadas no desenrolar dos anos
Mato uma morte todo momento
e escondo todos corpos no porão
com medo de que eles ressuscitem
e como zumbis venham me buscar
Com os dedos trêmulos me acaricio
as rugas não correspondem o ato
desato os nós dos parcos cabelos
lágrimas teimosas anunciam cair
Longe campos macios se avistam
um lugarzinho monótono e morno
esperando seu provável condômino
manquitolando aponto o fim da fila
domingo, 24 de fevereiro de 2019
terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
vida
Estirar-se em tapetes de flores assim?
Não, não partirás tão cedo dessa vida
Te ordeno, sonhe com o amor sem fim
Emoldura-te em vida, o mal vai passar
Abra-te altares, retira de ti este véu
Sonhe com vida, deixe a vida brotar
Roube deles o desejo de mais viver
Decole agora de ti mesma vida suave
Se te apegas em um sonho tão grave
Quando o amor te pode entorpecer?