Cyd Ramos

domingo, 22 de setembro de 2019

Nas tuas páginas

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Nas tuas páginas

De: Alcides Ramos

Canto tão desatento que tento sorrir
Quando canto teus versos de amor
Grito palavras de estímulo mas rimo
Com as cores frias de uma aquarela
Danço apressado os compassos em si
E corto meus pulsos enquanto tu ris
Sou a solidão numa praça de eventos
Sangue seco de raiva na boca do cão
Sou vício enrustido no subconsciente
Estou consciente de minha inspiração
Solfejo notas sílabas de tua partitura
A tempo de medir a minha loucura
Cantando em sol o que me consome
Teu nome santo na minha boca vil
Tu leste o futuro em minhas mãos
Momentos que teu corpo me sentiu
Sou barco à deriva, sou nau sem rumo
Sou palavra viva, sou droga sou fumo
Canto apavorado que como o que diz
Na letra, amor tenho urgência ser feliz
Acelero a melodia como rajadas de luz
Torcendo meus dedos no peso da cruz
Que a loucura me seja dada agora ou
Me seja retirada toda a forma de sentir
Teus olhos dentro de meu espírito nu
Teus anéis de santidade na tua cabeça
Ou a tua formosura em me dar amor
Espalho roupas sujas sobre nossa cama
Transformando tudo num palco sem cor
Recebo meu personagem de outrora
E te desafio e me aceitar no teu livro

Como um bendito entre os tantos
Que lutam por um lugar no seu sol
Cravo as unhas na minha carne
E devoro cada gosto de teu beijo
Dado em horas impróprias sim
Pois se fossem horas oportunas
Não tinham ficado em mim o sabor
Cruzo pernas para esconder marcas
Teus dentes afiados após tua língua
E finjo que nunca  tive  nada contigo
Pois, te amar será o maior perigo
Então abra logo este teu livro maldito
Expulse teu companheiro donde está
E me aceite para ocupar este lugar
Que minha loucura seja boa e breve
Que tua inspiração seja louca e leve











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Cyd Ramos, textos, músicas e poesias