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Sinto que me encontro à margem de mim mesmo
Me vejo expectador de um espetáculo interativo
No qual minhas experiências são fracas marionetes
Que tentam em vão ensaiar a última peça teatral
Meu corpo insuportavelmente pesado dói muito
Numa poltrona que me obriga a ver sem interesse
As cordas esticadas nas mãos de um manipulador
Preciso desnudar-me do que me vestiu até aqui
Dizer obrigado e tentar atravessar sozinho o rio
Descobrir o que me aguarda na outra margem
Um barco vazio desce lentamente a margem de cá
Trazendo as cartas e as respostas de uma consulta
Um mágico sim, um não e um irritante talvez, ai!
Como a dúvida me divide o tempo todo, outro ai!
A margem de lá atrai o barco na minha frente
Preciso decidir se entro nele ou deixo que as cartas
Sigam seu caminho induzindo outros consulentes
Não posso ficar à margem de meu destino, embarco!
Publicações de textos e poemas de autoria de Alcides Ramos, o oficial.