Podia bordar já sua própria vida, sim
bordou uma xícara de café, queijos
um pão fresquinho e manteiga, flor
botou-os sobre a mesa, saboreou-os
empanturrou-se, agora u'a nova rede
antes de se deitar pensou nele, sede
bordou-o seminu nas mãos um leque
abanando lentamente seu amor, calor
cerrou os olhos, sentiu-se beijada, e
um arrepio na pele, mãos molhadas
uma vontade louca de chorar, gritar
pensou bordar uma manta, branca
debaixo dela dois corpos nus, tesos
luz apagada, manta branca mancha
não conseguiu bordar os gemidos
mas marcas das unhas nas costas
uma rosa vermelha e um coração
Publicações de textos e poemas de autoria de Alcides Ramos, o oficial.