Cyd Ramos

domingo, 22 de setembro de 2019

Mortes no porão

.
Envelheço timidamente na janela
raios de sol tingem minha alma
costurando alguns fios teimosos
e ajeitando aqueles já cansados
Na mente as imagens não vividas
que teimam em se fazer presente
buscam as cicatrizes improváveis
deixadas no desenrolar dos anos
Mato uma morte todo momento
e escondo todos corpos no porão
com medo de que eles ressuscitem
e como zumbis venham me buscar
Com os dedos trêmulos me acaricio
as rugas não correspondem o ato
desato os nós dos parcos cabelos
lágrimas teimosas anunciam cair
Longe campos macios se avistam
um lugarzinho monótono e morno
esperando seu provável condômino
manquitolando aponto o fim da fila




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Cyd Ramos, textos, músicas e poesias