Cyd Ramos

terça-feira, 30 de abril de 2019

reciprocidade

Acho perfeito 
quando encontramos pessoas que nos entendem, 
que nos fazem sentir bem 
com nossos defeitos e qualidades. 
Pessoas que nos fazem enxergar 
a vida como ela é 
e mesmo quando não concordamos com elas, 
refletimos de forma a tomarmos nossas próprias decisões. Amo pessoas assim, 
são poucas as que tenho contato, 
mas que me são de extrema importância. 
Pessoas normais, 
com um monte de defeitos 
mas também de muitas qualidades. 
Tento ser assim, 
nada melhor que a reciprocidade!

Amor demais

Amor demais de alguém que é pura doação, 
de alguém que não se importa quem você é 
ou um dia o foi. 
Amor sem reservas, 
sem frescuras, 
sem compromisso, 
sem cobrança, 
um amor universal. 
Eu quero este Amor, 
quero sentir amado sem ter que dizer te amo, 
sem ter que me comportar politicamente correto. 
Quero ter a certeza que alguém vela por mim, 
onde quer que eu esteja. 
Quero ver o sol brilhar, 
a lua enternecer 
e as estrelas cintilarem como vagalumes fazendo amor. Quero pegar a rosa 
e oferecer à primeira pessoa que encontrar no caminho. Quero agradecer a vida.

Passos

Os passos no silêncio da noite 
O cheiro forte de manjericão 
Sombrias senhoras de preto 
Almas nobres em expiação 
De púrpura repousam na paz
Nos ombros dos velhos irmãos
A morte repete o abraço desfaz
Deus , de novo o mataram!
Da noite no silêncio dos passos
Senhoras com cheiro de morte
Dedilham rosários purpúreos
Manjericão roxo velhos tempos
Ombros irmãos levam almas
Expiação se repete no abraço
Não, Deus não está morto!
“Por quem dobram os sinos ?”

Passos lacrimosos

Em um lençol de linho branco
envolvi teu corpo seminu, sei
é apenas uma lembrança, vive
dentro de mim, e todo homem
que aceita como seu Salvador
percorro ladeiras em ladainhas
dedilho um rosário canto hinos
espalho o perfume de alecrim
o incenso incendeia as mentes
as mentiras minhas sementes
choro copiosamente sem ver
minhas vestes sujas de sangue
derramo meu óleo perfumado
nos pés de meu amo, e senhor
confesso meus pecados, alguns
outros tenho vergonha de dizer
mato meus medos, minto sofrer
cruzo os dedos, sujos de sêmen
sementes de vida, linda de ver
minha cabeça explode, muitos
pensamentos para um só ser, eu
quero me calar, as palavras nuas
explodem em estrelas cadentes
um dia verei a glória, a história
muito mistério para desvendar.

Envelhecendo na janela

Envelheço timidamente na janela
raios de sol tingem minha alma
costurando alguns fios teimosos
e ajeitando aqueles já cansados
Na mente as imagens não vividas 
que teimam em se fazer presente
buscam as cicatrizes improváveis
deixadas no desenrolar dos anos
Mato uma morte todo momento
e escondo todos corpos no porão
com medo de que eles ressuscitem
e como zumbis venham me buscar
Com os dedos trêmulos me acaricio
as rugas não correspondem o ato
desato os nós dos parcos cabelos
lágrimas teimosas anunciam cair
Longe campos macios se avistam
um lugarzinho monótono e morno
esperando seu provável condômino
manquitolando aponto o fim da fila

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