Cyd Ramos

sexta-feira, 6 de março de 2015

Labirinto

Deixaste-me neste labirinto de pensamentos,
Onde as palavras não conseguem expressar,
O verdadeiro estado da alma ou o momento
Que devemos esquecer as etiquetas e gritar.

Por que me obrigas buscar respostas da vida?
Por que não me deixas viver sem um motivo?
Te tornas oculto e deixas que eu transgrida,
Punindo-me ferozmente como pai opressivo.

Ah, mas todos os dias quem me pune sou eu.
Respostas não terei, se a ti não sei perguntar.
Mas sei que há em ti culpa, pois me concebeu.

Se tu te cansas de mim, ainda hei de obstinar,
Por que insisto viver, por quê? Se não valeu,
A luta que até agora travo para me escapar?


segunda-feira, 2 de março de 2015

Teus labirintos

Desde que me deixaste perdido no teu labirinto,
Recolho-me toda noite esperando te encontrar,
Num beco escuro e qualquer, nostálgico e aflito,
Num laço de fita, chorando e rezando num altar.

Esqueceste chaves, pétalas de rosas dormidas,
Que não conseguem atingir aquilo a que veio,
Quebram-se nas mãos sem força e sem vida,
Estúpidas, odor de morte, mordaz devaneio.

Quero te encontrar mas não mais procurar-te,
A solidão que me apavorava tornou-se amiga,
Transformando teu labirinto no meu baluarte.

Destranco tuas portas, grito e entoo cantigas,
Me faço de herói e exibo qualquer estandarte,

Desfaço as amarras, as que a ti me desobrigas. 

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Cyd Ramos, textos, músicas e poesias