Para uma visita esperada
Espera pelo meu chamado na curva!
Mandei que plantassem lá flores e alecrim,
Para que tuas vestes negras tragam perfumes.
Por que insistes ouvir meu canto pedindo
perdão?
Não quero sentir a aridez de teu solo,
A robustez de tua língua, a maciez de teu
corpo.
Cansei de olhar ao redor e implorar tua
presença,
Por que me deixaste sofrer com minha canção?
Talvez eu prefira buscar vidas mais férteis,
Colos suaves, palavras macias, corpos ardentes.
Eu que te procurava no mar, nas ondas, na lua,
Implorando um tapa na cara, mendigando atenção.
Minhas vistas estão turvas, não te vejo me
ouvir!
Senta-te na minha cama, acomoda minha cabeça,
Sei que não podes mais esperar que eu respire.
Não tenhas pena de minha humilde condição.
Espalma tuas mãos sobre meu o peito arfante!
Permita que meu espírito cansado se retire.
Trêmulos lábios não exprimem notas musicais!
Venceste-me, entrego-me, gratidão!