Cyd Ramos

domingo, 20 de março de 2016

Decifrando-se

Sou arte,
Parte de um estandarte,
Que se mostra altaneiro,
Conforme os ventos sopram.
Sou nota musical de uma sinfonia inacabada.

quinta-feira, 17 de março de 2016

E se ...



E se ...

Eu me calo o tempo todo, tenho medo.
Medo de agredir meus amigos com palavras,
De soltar o meu grito e ele não ser ouvido
Ou ser entendido por quem é de direito.
O nó na garganta incita meu silêncio!!!

Somos o tempo todo camaleões urbanos,
Um dia estamos vestindo preto para isso,
Branco para aquilo, azul para aquilo outro,
Rosa, amarelo, vermelho e muitas outras.
Bandeiras se levantam agressoras  e belas!

Eu, como um avestruz enfio a cara na areia
E espero o tempo passar. Mas até quando?  
Revolta-me o ostracismo, o partidarismo,
A visão em direção ao próprio umbigo.

Agredimo-nos por questões filosóficas
Enquanto nosso país caminha errante.
E se tudo isso fosse bem diferente, será?


terça-feira, 15 de março de 2016

Para uma visita esperada






Para uma visita esperada

Espera pelo meu chamado na curva!
Mandei que plantassem lá flores e alecrim,
Para que tuas vestes negras tragam perfumes.
Por que insistes ouvir meu canto pedindo perdão?

Não quero sentir a aridez de teu solo,
A robustez de tua língua, a maciez de teu corpo.
Cansei de olhar ao redor e implorar tua presença,
Por que me deixaste sofrer com minha canção?

Talvez eu prefira buscar vidas mais férteis,
Colos suaves, palavras macias, corpos ardentes.
Eu que te procurava no mar, nas ondas, na lua,
Implorando um tapa na cara, mendigando atenção.

Minhas vistas estão turvas, não te vejo me ouvir!
Senta-te na minha cama, acomoda minha cabeça,
Sei que não podes mais esperar que eu respire.
Não tenhas pena de minha humilde condição.

Espalma tuas mãos sobre meu o peito arfante!
Permita que meu espírito cansado se retire.
Trêmulos lábios não exprimem notas musicais!
Venceste-me, entrego-me, gratidão!

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Cyd Ramos, textos, músicas e poesias