Cyd Ramos

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Urinoterapia

        _  Mas meu filho, eu responder um processo por causa de ter cortado mariazinha pra dar pro meu gado?  Vem cá procevê! Foi ali ó! No dia que a polícia chegou eu tinha acabado de cortar a planta, e olha como tá hoje! Com uma semana, a planta volta todinha, eu não arranquei a raiz e nem queimei, era como se eu tivesse podado a planta. Sabe de uma coisa meu filho, a gente tem é de largar tudo mesmo, ir pra cidade e viver as custas do governo. A gente não pode trabalhar e viver na terra da gente?

        _ É seu Agostinho, é muito difícil pra gente também, principalmente explicar para o senhor que o que o senhor fez é crime ambiental.
        _ Ah, mas vamo deixar isso pra lá! Vou lá, o advogado do sindicato faz minha defesa, depois o juiz marca uma audiência, eu pago as multas, cumpro o que ele determinar, e assim vai. Não dá pra entrar na minha cabeça que cortar  uma planta e dar pro gado é crime. E se fosse o gado que entrasse lá no brejo e comesse a mariazinha?  Quem ia responder pelo crime? E olhe que o gado poderia até arrancar a raiz, porque a planta é ardilosa. Ela não arrebenta fácil, tem que cortar. Ah, não vamos falar mais disso não, vamos entrar e tomar um cafezinho.
-       Eu vou agradecer seu Agostinho, já está ficando de noite e tenho que passar ainda lá em Pontal.
-       Pontal? É intimação de crime ambiental também?
-       É!
-       E de quem é?  Se não quiser falar não precisa! De Ezequiel eu aposto que não é! Os Policiais Florestais não saem da fazenda dele! Nunca fiquei sabendo que ele recebesse uma multa, está vendo aquele alto lá? Tudo de Ezequiel, era cheio de mata nativa, cortou tudo no ano passado e sem autorização dos home, deu alguma coisa pra ele? Nada!
-       Vamos deixar pra lá, né seu Agostinho? Tenho mesmo que ir! Boa tarde para o senhor.
-       Boa noite, e vá com Deus.

Entrei em meu carro velho e dei a partida. Nada! Desliguei a chave e liguei novamente, nada! Do outro lado da porteira seu Agostinho me olhava interrogativo. Saí, abri o capô do carro, como se eu entendesse de mecânica e fiquei olhando, já estava bem escuro. Seu Agostinho gritou de lá:
        _ Quer que empurra?
        _ Vou dar mais uma tentada!

De novo dei a partida, como antes nada aconteceu. Arriou a bateria! Sentei dentro do carro e fiz minhas orações, pedindo a Deus que me ajudasse naquela hora, não podia dar tranco no veículo.
Tentei mais uma vez e outra vez, nada! Seu Agostinho aproximou, bateu no meu ombro e disse:
        _ Isso é para não acontecer coisa pior, meu filho. Entra e dorme aí! Amanhã cedo Gerônimo, o rapaz que cuida do gado te ajuda, se for bateria ele usa a bateria da moto dele e vocês dois  conseguem resolver. Vamos entrar, você toma um banho, janta, a gente bate um papo e depois dorme, amanhã tudo se resolve.

Não tinha outro jeito, fiquei sem saber como avisar em casa, não havia no local sinal para telefonia. Entrei, a mulher do seu Agostinho avisou que o jantar estava quase pronto. Seu Agostinho parecia estar contente por me ter em sua casa. Jantamos e fomos para a varanda conversar. Ele me dizia tanta coisa, dava tantos conselhos, simpatias para tudo que há e cura de doenças. 
        _Eu tive um tempo com uns problemas na garganta, o médico até chegou a suspeitar que fosse câncer, fiz um monte de exame e nada era confirmado. O problema continuava e não havia antibiótico que curasse. Aí apareceu nessas redondezas uma senhora que estava procurando ensinar o povo da região o poder de cura das plantas. Ela chegou aqui em casa e mapeou toda minha horta e pomar, disse que aqui na região tem muitas plantas que curam. Algumas eu já sabia, outras pra mim foi novidade, tem tudo anotado ai em casa. E conversando com essa senhora sobre o meu problema na garganta ela me disse que o tratamento tinha que ser através da Urinoterapia. Já viu falar?
        _ Sim, vagamente! (continuava pensando como estaria minha família sem notícias minhas).
        _ É a gente usar o xixi da gente como remédio. A senhora me disse que todo dia de manhã eu teria que usar o primeiro xixi do dia,  tomar tres goles, bochechar e gargarejar tres vezes, por um bom tempo, até curar. No princípio eu fiquei com nojo da situação, mas depois acabei pensando que aquilo poderia ser minha cura. Comecei o tratamento, tem duas semanas, se você visse como tava minha garganta e como ela está hoje, você nem acredita. Todo dia de manhã, eu encho uma caneca com meu xixi e faço o que a dona mandou. Parece que vai curar mesmo.
        _ Tomara, né seu Agostinho?
        _ Vou arranjar uma toalha pra você tomar banho, como você não tem roupa de dormir, você se enxuga la no quarto que já está preparado e dorme sem roupa mesmo. Pode ficar tranquilo, que só tem eu e a patroa na casa.

Esqueci completamente da minha família e fiquei pensando na sabedoria do povo da zona rural, nas curas que eles fazem com chás, simpatias, banhos e rezas. Agora essa, Urinoterapia! Como será isso? É um povo tão simples que acredita em todos que trazem novidades, principalmente quando se trata de curas. Ao mesmo tempo fiquei pensando como o senhor Agostinho fazia de manhã, será que ele pegava qualquer caneca e fazia suas necessidades nela e fazia o tratamento? E se fosse uma daquelas canecas que tomei água ou o café? Na dúvida, perdi a vontade de tomar café na manhã seguinte.

Dormi um sono leve, acordei com o cantar dos pássaros e de um galo que parecia estar debaixo de minha cama. Rumei para a cozinha e a mulher de seu Agostinho disse que ele já estava no curral tirando o leite, há bem tempo. Antes que chegasse no curral seu Agostinho veio ao meu encontro e convidou para tomar o café.

Lembrei-me do caso do xixi e disse que não estava me sentindo bem, e que ia agradecer o café. O Gerônimo logo veio e disse que se o problema do carro fosse a bateria arriada ele resolveria naquela hora, era só fazer uma “chupeta”! Ele e outro rapaz foram juntos e lá resolveram sozinhos o problema, era mesmo a bateria.

Seu agostinho tomou café e comeu muito, eu fiquei olhando aquela mesa bonita, se eu disse que não estava me sentindo bem para tomar café, também não poderia comer daquelas maravilhas sobre a mesa; broa, mandioca cozida, inhame, melado, etc.

Assim que terminou sua refeição, seu Agostinho me acompanhou para minha saída, me levou no curral para ver o novo bezerro que tinha nascido naquela noite, e quando ele passou perto do cocho alguma coisa fez um barulho, era a cabeça do seu Agostinho que tocara em uma caneca pendurada no telhado do curral.
        _ Como eu venho direto para o curral antes do café, é aqui mesmo que faço a minha sessão de Urinoterapia. Por isso que essa caneca fica aqui!
        _ Ah seu Agostinho, pensando bem, acho que vou voltar lá na cozinha e tomar um cafezinho, acho que sair sem nada no estômago não vai ser muito aconselhável não é?
        _ Vai lá meu filho! Eu não insisti muito, por que vocês da cidade são cheios de mistério!


O despejo

         _ Boa tarde senhor Tadeu, como o senhor já sabe vim acabar de cumprir a ordem de despejo.

Por um bom tempo, ele ficou me olhando sem dizer uma palavra. Observei que o boteco continuava da mesma forma que deixei, nada fora do lugar. Nenhum cliente, somente um copo sobre o balcão, dentro dele um líquido que o senhor Tadeu tragou de um só gole. Levantando-se gritou a esposa e ela veio acompanhada de dois meninos.
         _ Ô moço, pelo amor de Deus, para onde nós vamos? O senhor tinha que dar mais prazo pra gente, olhe aqui, o senhor não tem dó de duas crianças? Eu e esse bebum se ajeita em qualquer lugar, mas e as crianças?
         _ Senhora, eu cumpro ordens. O prazo que a senhora está pedindo corre desde o dia que trouxe a primeira citação. Eu sinto muito, mas temos que desocupar o imóvel hoje.
         _ A casa e o Bar? Deixa a gente pelo menos ficar no bar, não tem como tomar banho mas a gente se vira. Pelo amor de Deus moço!
         _ Infelizmente não posso, não tem como eu fazer mais nada.

Do lado de fora estava estacionado o caminhão de mudanças, locado pelo dono do imóvel, para o transporte das coisas dos despejados.  Senhor Tadeu nada disse, só me olhava com um leve sorriso nos lábios. As crianças já estavam juntando seus brinquedos e a mãe começou a arrumar as roupas e colocá-las em trouxas feitas com os lençóis. Grita.
         _ Tadeu, seu bebum! Não vai ajudar não? Precisa desmontar a cama e os armários, já sabe pra onde vamos? Maldita hora que te acompanhei pra cá. Essa bebida acabou com você e com nossa vida.

Senhor Tadeu não arredou do lugar, continuava a me olhar me deixando cada vez mais inquieto. Apareceram dois homens contratados pelo dono do imóvel perguntando o que era para colocar no caminhão.  Sem pensar muito, disse a eles que era para ir colocando as coisas do bar primeiro, mesas, cadeiras, congeladores, etc. Quando começaram a pegar os materiais o senhor Tadeu levantou-se.
         _ Daqui não sai nada! Se colocarem a mão em alguma coisa aqui vai sair morte, e você (apontando para mim) será o primeiro!

Calmamente, saí do local e chamei a polícia para dar o apoio. Antes que a polícia chegasse o senhor Tadeu começou a quebrar tudo que via pela frente, vidraças, garrafas, porta de geladeira, vitrines etc. De longe eu e os dois homens observávamos  tudo. Ele foi ficando calmo e a polícia chegou. Nem um pio. A mulher apenas chorava e organizava as coisas para a mudança, sem saber nem mesmo para onde iam.

Escurecia e as luzes de Natal começaram a acender nas casas em volta, uma leve neblina começou a cair. Apareceram mais dois homens para ajudar e em pouco tempo estava tudo dentro do caminhão. Entramos na casa e nada mais tinha para ser tirado, no bar apenas a quebradeira do senhor Tadeu. O dono do imóvel chegou e o senhor  Tadeu levantou-se.
-        Seu ladrão, foi bom você chegar! Nunca imaginei que você faria isso!
-        Tadeu, vai para sua casa!

Nem mais uma palavra foi dita, entraram no caminhão e o motorista deu a partida. Depois de alguns metros parou bruscamente. Desceu do caminhão um dos meninos que veio correndo em minha direção.
         _ Feliz Natal moço, e muito obrigado!

Aceitei o abraço daquele menino, e quando ele voltou ao caminhão virei meu rosto para o outro lado, para disfarçar uma teimosa lágrima que insistia em sair.


domingo, 22 de fevereiro de 2015

O colecionador

_ A sua bênção Tio Quinzin!
_ Deus te abençoe meu fio! Entra pra dentro! Como é que vai a patroa e as minina?
_Vão muito bem tio, e o senhor? Como tem passado?
_Vou ino como Deus permite! Só essa barriga inchada que me perturba. O doutor disse que só melhora a poder de remédio, eu nunca fui de tomar remédio, cê sabe!
_ E o que o senhor tá fazendo aí, agachado desse jeito, cuidado com a coluna!
_ Tô dano uma jeitada nestas tralha aqui. Sua tia vive me xingano por causa disso, fala que vivo juntano lixo, mas toda vez que ela precisa de alguma coisa, onde que ela procura? Aqui, no meu lixo. Sabe o que ela veio procurá hoje? Aquela pecinha de travá o sutião nas costa, o dela é novim, mas hoje em dia tudo é descartave né? Mexeu, mexeu e remexeu até achar o que queria, depois deixou desse jeito, oipocevê!
_Tio, é coisa demais hein? Vai dar um trabalhão para organizar tudo isso.
_É rapidinho, vai lá dentro vê sua tia e tomá um café, enquanto isso acabo com isso aqui, depois a gente bate um dedim de prosa.
         Deixei que ele continuasse seu trabalho e entrei para a cozinha. Um cheiro quente e gostoso saía do fogão a lenha, a fumaça branca azulada contrastava com o queimado da parede, o sol que entrava pela janela fazia um clarão ao lado do armário, onde um gato preguiçosamente dormia. Minha tia, com as mãos molhadas, veio me receber com um abraço, sem colocar as mãos em minhas roupas, aquele abraço forte com cheiro de defumados e de café. O cuscus com queijo já estava quase pronto e ela mandou-me sentar.
_ Espera só um pouquinho que vou desenformar o cuscus. Deve ter muito tempo que você não come, não é? Como vai as meninas?
_Verdade, tia. A última vez que comi cuscus foi no velório do meu avô. Muito tempo né? As meninas vão bem.
_É, já teve até missa de um ano!
         Degustei aquele cuscus com queijo acompanhado de café com leite. De vez em quando fechava os olhos para lembrar de minha infância naquelas redondezas. Cheiros, sabores, traquinagens, safadezas, saudade, muita saudade. Meu tio entrou partindo minhas lembranças com seu pigarro. Tomou um pouco de café sem leite e disse que não ia comer cuscus por causa da barriga inchada. Voltamos à varanda onde ele estava.
_ Num falei? Num piscar de oio botei tudo nos conforme!
_ Mas para que o senhor guarda tanta coisa tio? Hoje a gente encontra de tudo nas lojas.
_ Eu sei, eu sei! Ma num é todo dia que a gente tem dinheiro e num é todo dia que dá pra ir na cidade. Aqui, na venda de João de Bernarda, num acha nada que preste. Só mesmo kissuki, açuca, sabão, banha e querozem; o resto a gente tem que buscá na cidade. Eu qui não sô igual a muitos por aí, que até cove busca na cidade. Pra quê? Com tanta terra desperdiçada por aí e a gente não plantá nem pra cumê?. Vai lá fora e oipocevê! Tem arroz, feijão, mio, mandioca, batata, cebola, alface, cove, inhame, mamão, abroba, e até banha a gente não compra, sempre tem um ronca e fuça engordano lá no chiquero. Voltano às tralha você pode oiá aí, tem quase tudo, de A a Z. Qué vê?
         Fiquei um pouco pensativo com aquelas palavras do meu velho tio, imaginando o porquê  de muitos moradores da zona rural não plantarem pelo menos os alimentos que serão consumidos na casa. Fui até o parapeito da varanda e dei uma olhada panorâmica nos arredores, dava gosto ver, tudo verde, em cada canto um tipo de plantação. Meu tio interrompeu meus pensamentos perguntando novamente se eu não queria ver seus guardados. Voltei-me a ele, e reparei no malão, que virara um arquivo com vinte e seis gavetas, cada qual com uma letra do alfabeto.
_Tá tudo aqui ó. Cada gaveta tem coisa iniciada com a letra da tampa. Oipocevê!
         Comecei a abrir as gavetas e me alegrar com tanta inteligência do velho, fui me interessando mais e mais e quis saber o que tinha cada gaveta. E ele todo bonachão começou a falar.
_ Na letra A tem arruela, arame, finete; na letra B tem binóculo, bisturi, bexiga, (bisturi? Eu pensei, para quê?); na letra C tem canivete, caneta, cravo; na letra D tem dinamite, dado, dedeira, (meu Deus, dinamite?); na letra E tem elástico, espelhinho, espora; na letra F tem...
         Fiquei pensando o que teria nas letra K, W, X e Y, deixando ele ir descrevendo tudo que tinha.
_Na letra H tem hydra.
_Hydra? O que é isso tio?
         Sem pestanejar ele mostrou uma válvula de descarga de vaso sanitário, de marca Hydra, e foi continuando.
_Na letra P tem palito, prego, parafuso, palmilha de tênis, de sapato e de bota.
_Palmilha tio? Pra quê? Quem vai precisar de uma palmilha?
_Hum! Na letra T tem...
         Pensei, tá chegando no W, X, Y e Z, quero ver!
_Espera aí tio, duvido que tenha alguma coisa na letra W, posso olhar?
_Claro, oipocevê!
         Abri cuidadosamente a gaveta da letra W e não é que encontrei uma coisa? Lá dentro estava uma embalagem de vidro, com um lindo rótulo de couro, escrito Whisky. Claro que não vou e nem quero falar a marca, respirei fundo e abracei meu tio.
_Puxa tio, o senhor me surpreende! Preciso vir mais vezes aqui!
_ Venha quando quiser, minino. Da outra veiz traz a dona patroa e as minina.
         Quando estávamos desfazendo o abraço chegou minha prima Constança, com um pé calçado e outro descalço, com o tênis na mão e perguntando:
_ Pai, por acaso o senhor não tem aí uma palmilha? O Rex pegou a palmilha de meu tênis no varal e comeu a metade dela!
         Meu tio todo convencido foi procurar na gaveta da letra P, pegou várias palmilhas e deu a Constança para que a mesma escolhesse a que lhe servisse. Enquanto ela escolhia a melhor palmilha ele me olhava de banda, como ele mesmo sempre diz.

_ De que mesmo a gente tava falano?

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Carnaval

Perambulei te procurando por aí,
Tentei te encontrar por onde fui,
Pensei que teus sorrisos eu ouvi,
Mas isso as marchinhas obstrui.

Voltei e minha fantasia  entrajei,
Nos bares muitos goles eu bebi,
Estar nos teus braços eu sonhei,
Estavas n’outros braços, eu te vi.

Mas antes deste carnaval findar,
Em braços diferentes eu estarei,
Assim de novo vou te encontrar.

Na quarta quando tudo acabar,
Sorrindo a tua volta esperarei,
E juntos novamente começar.


Alcides Ramos 15/02/2015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Não tente decifrar-me

Nunca um poeta tentes tu decifrar,
Nem mesmo interpretar o que ele diz,
De sua vida nada há em seus versos,
Um pouquinho de várias vidas, talvez.

Não precisa amar, para falar de amor,
Nem sofrer, para expressar sofrimento.
Existe uma musa? Sim, talvez muitas,
A amada, desejada, despida ou morta.

Se ontem desnudava-se a cortejando,
Hoje se ri em rimas numa despedida,
Só, amanhã, mendigando afeto estará,
Depois, morto de amor se encontrará.

Ele finge, como já dizia o poeta Pessoa,
Ama e sofre, até mesmo sem ninguém,
Diz ser dor uma dor que nunca sente,
Simula um amor, nem se sabe a quem.

Deixe que o poeta expresse em versos,
O que lhe vem na teia, não te importes,
Apenas sinta, se queres ou deves sentir,
Os versos de um ser obrigado a fingir.





segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

sobre nós

Anda esfriando minha febre por teu corpo,
Talvez seja os momentos que me deixas só,
Porque me esqueces a ver navios no porto,
E me assombras com tua frieza de dar dó.

Não quero que seja somente tua, a culpa,
Afinal fico só, não luto pela tua presença,
Esqueço-me, solidão que vem me insulta.
Busco-te, ambos necessitamos clemência.

Não posso visualizar agora uma boa saída,
Pois as portas que se abrem me dão medo,
E as amarras, se fortalecem com a dúvida.

Ainda te espero, não há entre nós segredo,
Ainda há afeição, se mesmo assim corroída,
Não a deixemos morrer, a ti isso intercedo.









quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Reencontro




Depois de tanto tempo, rever-te me assusta,
Como pudemos viver momentos tão felizes,
Perceber a distância, e vencer a ela não custa,
Amargar em saudades de diferentes matizes.

Mudamos quase nada e tua beleza continua.
Algum pecado em nossos olhos ainda queima,
Desnuda-me o corpo e eu decifro a alma tua,
Sóbrios em terras onde o desconforto reina.

E assim, conduzindo o nosso embaraço,
Arrefecemos o calor desejo de nossa pele,
Triste, murcha, de um encontro fracasso.

Tu te encontras em outras notas musicais,
Me encontro em solos de velhas partituras,
Distância, saudade, amor, dor e amargura.





domingo, 1 de fevereiro de 2015

a volta

Venho reconsiderando a ideia de voltar  a ser teu,
Afinal por mais que eu corra, sempre estou em ti.
Aliciaste-me e me cercaste de todas as maneiras,
Que não encontro uma vida melhor da que vivi.

Ao sair de tua vida tive a ideia fixa de ser livre,
Voltar a aventurar, ao som do tempo e do vento.
Mas eu corro, em direções outras, quase morro,
Algures estás tu, colo, carinho, amor, acalento.

Voltarei calado como sabes, é de meu costume,
Deitarei no teu colo e deixarei que me toques,
Adormecerei enfim, inebriado com teu perfume.

Ao despertar-me, amar-te-ei  de forma alterada,
Pois nossos corpos acostumados se estranharão,
Com o tirocínio de minha existência desventurada.






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Cyd Ramos, textos, músicas e poesias