Cyd Ramos

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Não tente decifrar-me

Nunca um poeta tentes tu decifrar,
Nem mesmo interpretar o que ele diz,
De sua vida nada há em seus versos,
Um pouquinho de várias vidas, talvez.

Não precisa amar, para falar de amor,
Nem sofrer, para expressar sofrimento.
Existe uma musa? Sim, talvez muitas,
A amada, desejada, despida ou morta.

Se ontem desnudava-se a cortejando,
Hoje se ri em rimas numa despedida,
Só, amanhã, mendigando afeto estará,
Depois, morto de amor se encontrará.

Ele finge, como já dizia o poeta Pessoa,
Ama e sofre, até mesmo sem ninguém,
Diz ser dor uma dor que nunca sente,
Simula um amor, nem se sabe a quem.

Deixe que o poeta expresse em versos,
O que lhe vem na teia, não te importes,
Apenas sinta, se queres ou deves sentir,
Os versos de um ser obrigado a fingir.





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Cyd Ramos, textos, músicas e poesias