Porque me
sinto assim tão triste,
Se fora,
minha vida continua feliz?
Sim, feliz
aos olhos de quem me vê,
Não entram
no fundo de minh’alma.
Sofro das
coisas que todos sofrem,
E morro de
pena de mim mesmo.
Corro,
esperneio e grito por socorro,
Cuspo
mazelas que no caminho encontro,
E sacudo a
poeira de minhas sandálias.
Ah, mas
não adianta fazer tudo isso,
Com tanta
lama que se espalha na rua,
No rio, na
fazenda, nos salões e tribunais.
Sapatos se
encharcam, pés se afundam,
Lama
continua a tomar conta do mundo.
Poderes, clamam
assim como eu,
Menos
mazelas.
Os cofres
esvaziam, sorrateiramente.
Um dia
saberemos, de quem vai ser a culpa?