Cyd Ramos

domingo, 15 de novembro de 2015

Meu grito

Porque me sinto assim tão triste,
Se fora, minha vida continua feliz?
Sim, feliz aos olhos de quem me vê,
Não entram no fundo de minh’alma.
Sofro das coisas que todos sofrem,
E morro de pena de mim mesmo.
Corro, esperneio e grito por socorro,
Cuspo mazelas que no caminho encontro,
E sacudo a poeira de minhas sandálias.
Ah, mas não adianta fazer tudo isso,
Com tanta lama que se espalha na rua,
No rio, na fazenda, nos salões e tribunais.
Sapatos se encharcam, pés se afundam,
Lama continua a tomar conta do mundo.
Poderes, clamam assim como eu,
Menos mazelas.
Os cofres esvaziam, sorrateiramente.
Um dia saberemos, de quem vai ser a culpa?



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