Cyd Ramos

sábado, 30 de setembro de 2017

Samba III

Samba III

Se você chegar mais cedo, meu bem
Vai encontrar tudo bagunçado
A mesa não vai estar posta
A cerveja não tá gelada
Nem banho terei tomado
Mas meu coração vai estar pronto
Batendo como louco e tonto
Querendo o seu ouvir

Deixa pra lá a maquiagem
As vasilhas pra lavar
As roupas ficam esperando
A cama não  dá pra arrumar
Mas meus braços estarão prontos
Pra te apertar com carinho
Vou te dar muitos beijinhos
Não me faça essa surpresa,  meu bem

Se você  chegar mais cedo, meu bem
Ainda nem escovei os dentes
O  café não está quente
Não tampei a aguardente
Mas não há quem te aguente
Quanto tem em sua mente
Me pegar desprevenido
Me deixar meio sem jeito
Sem cueca sem perfume
Sem disfarce sem ciúme
Vou deixar isso pra lá
Já que você está aqui
Vamos embora namorar

Deixa pra lá a maquiagem
As vasilhas pra lavar
As roupas ficam esperando
A cama não dá pra arrumar
Mas meus braços estão prontos
Pra  te apertar com carinho
Vou  te  dar muitos beijinhos
Não me faça essa surpresa, meu bem

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Meus versos

Meus versos
não são para você
que não consegue sonhar
não são para pretensas musas
nem para ídolos criados pela imaginação
Meus versos vão
voltam
são em vão
ferem
agridem
ou simplesmente tocam um coração
Meus versos
são meus, mas podem ser seus
se assim o desejar
São  versos?
Mesmo que não sejam
são meus
podem ser seus
ou de alguém que os tenha dito
Meus versos
não são para você
que insiste em não querer

A visita

Visitaste-me e deixaste rastros
Minhas portas abertas não oferecem resistência
Por quê insistes me provocar?
Entre, fale, faça o que tem de ser feito
Não tente ocultar tua visita
Se me inspiras não te afaste
Traga contigo os ventos do sul
Os barulhos dos trigais
O brilho dos faróis
A beleza dos moinhos
A brisa do mar
O silêncio dos lagos
Mas se ainda assim quiseres
Faça como tens feito
Entre como o sol
Saia como uma sombra
Volte como as estações
Me provoque
Me desperte
Me faça  vivo
Viva

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

fica a dica


Não te decifre demais

Nem te deixe levar sem contestação 
Conheça mais o teu alguém 
Faça que ele procure te conhecer melhor
Surpreenda a cada dia
Se entregue aos poucos, com reservas
Instigue mais, um pouco mais
Seja cauteloso
A conquista se faz a cada dia!

a espera


Me encontro nas montanhas azuis
cavalgando um cavalo escarlate 
Meus cabelos em desalinho 
agarram-se aos ramos de alecrim
que insistem em odorar meu desalento
Procuro não pensar onde chegar
pois meu coração sangra de dor
Quero apenas sentir este vento 
esperar que te arrependas 
e venha correndo para me alcançar 
antes que me encontre no precipício 
Pois lá eu desistirei de ti
Deixarei o cavalo 
Cortarei os cabelos 
caminharei de volta
Para uma nova vida

camaleão


Não me encontrarás onde procuras

Sou camaleão 
Escondo-me nas cores e nas estações 
Os trens que ali movimentam
entornam folhas, flores, cinza e neve
As frutas eles explodem em canhões
Quando me achas sou tua sombra
e te acompanho até o anoitecer
Depois viro vaga-lume errante 
entro no teu quarto e espião me torno
Ao acordares terei partido no primeiro trem 
Que se esconde nas montanhas azuis

samba II


Agora que entrei no samba não posso sair
Me prendi na armadilha de um amor
Que me força, me rende, me faz um carinho
Me seduz e me faz um vencedor 
Agora que chamem os "homi" vou resistir
Eu não saio, não arredo o pé daqui
Botei meu chapéu de palha
Botei meu terno de cor
Meu sapato bico fino 
Dei um remédio pra dor
Botei meu chapéu de palha 
Botei meu terno de cor 
Meu sapato bico fino 
Dei um remédio pra dor 
Fizeram mandinga pra eu desistir 
Botaram meu nome na boca da cuíca 
Coaram café na bandeira da escola 
Me empurraram uma dama mais rica
Tudo que fizeram saiu pelo ralo
Não me calo, não arredo o pé daqui 
Botei meu chapéu de palha 
Botei meu terno de cor 
Meu sapato bico fino 
Dei um remédio pra dor 
Botei meu chapéu de palha 
Botei meu terno de cor 
Meu sapato bico fino 
Dei um remédio pra dor

samba I

Quero entrar na roda
Mas não sei sambar 
Você tem que entender
Se você me ensinar 
Eu prometo aprender 
Quero mais é entrar 
Nesta roda e rodar
E sambar com você

O samba não tem preconceito 
De sexo, raça e cor 
Se eu não sei sambar direito 
Samba é paciência e amor 
Deixa o corpo sambar
Coração ritimar neste som e suor
Quando a gente entra no samba 
Problemas não tem mais não 
No meio de gente bamba 
Alegria é a solução 
Deixa o corpo sambar 
Neste som e suor ritimar coração

meu umbigo

Não vi as ondas quebrarem na praia trazendo os gritos dos mortos em mar revolto, 
não vi o barco afundando.
Não vi o circo pegando fogo, nem vi a faca de dois gumes.
Não vi o trigal balouçando com as cantigas do vento de inverno.
Não vi Maria orando à espera do anjo, nem vi a cruz de Cristo.
Não vi o leite ferver, o rio correr, não vi nada, não vi nada.
Mas meu umbigo é realmente lindo!

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Passagem

Ando meio esquisito e roto
Tateando pedras e maçanetas 
Procurando em cada rosto
Rugas deixadas pelo passar do tempo 
Tateio as marcas de minha pele
Procuro pedras soltas na calçada 
Deixo minhas digitais nas maçãs 
Outras frutas vermelhas secam
Nas grutas água viva evapora 
Eva distribui cobras e lagartos 
Nos jardins brasilienses 
Cobras ficam lagartos fogem
Minhas mãos suam demais 
Meus olhos negam imagens 
Meus ouvidos zunem alarmes 
Meu corpo passeia sobre pernas frágeis 
Minha hora chega atrapalhada 
A brisa leve toca meu suor 
Um perfume de jasmim 
Uma estrela cintila 
Uma lua 
Um Sol
Só

domingo, 10 de setembro de 2017

Outras montanhas

I.  Montanhas   .                     II.    mineiros
    outras                                         minério
    montanhas                                  ferro
    escondiam                                  exportação
    minhas                                        ouro
    Minas                                          embutido


III. minhas                                   IV.       mineiros
      gavetas                                              partem
      escondem                                          barrigas
       histórias                                           crescem
       soluços                                             vestidos
       contidos                                           encurtam-se

V.   minério                                          VI.    montanha
       acabou                                                    morreu
       órfãos                                                     água
       viúvas                                                     secou
       Marias                                                     poeira
       meninos                                                   sobrou

                              VII.  adeus
                                       minério
                                       adeus 
                                       montanhas
                                       adeus
                                       mineiros

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