Desde que me deixaste perdido no teu labirinto,
Recolho-me toda noite esperando te encontrar,
Num beco escuro e qualquer, nostálgico e aflito,
Num laço de fita, chorando e rezando num altar.
Esqueceste chaves, pétalas de rosas dormidas,
Que não conseguem atingir aquilo a que veio,
Quebram-se nas mãos sem força e sem vida,
Estúpidas, odor de morte, mordaz devaneio.
Quero te encontrar mas não mais procurar-te,
A solidão que me apavorava tornou-se amiga,
Transformando teu labirinto no meu baluarte.
Destranco tuas portas, grito e entoo cantigas,
Me faço de herói e exibo qualquer estandarte,
Desfaço as amarras, as que a ti me desobrigas.