Cyd Ramos

segunda-feira, 2 de março de 2015

Teus labirintos

Desde que me deixaste perdido no teu labirinto,
Recolho-me toda noite esperando te encontrar,
Num beco escuro e qualquer, nostálgico e aflito,
Num laço de fita, chorando e rezando num altar.

Esqueceste chaves, pétalas de rosas dormidas,
Que não conseguem atingir aquilo a que veio,
Quebram-se nas mãos sem força e sem vida,
Estúpidas, odor de morte, mordaz devaneio.

Quero te encontrar mas não mais procurar-te,
A solidão que me apavorava tornou-se amiga,
Transformando teu labirinto no meu baluarte.

Destranco tuas portas, grito e entoo cantigas,
Me faço de herói e exibo qualquer estandarte,

Desfaço as amarras, as que a ti me desobrigas. 

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Cyd Ramos, textos, músicas e poesias