.No tempo
Alcides Ramos
A xícara de chá sobre a mesa
Tuas trêmulas mãos, tamborilam
Tentam em vão um carinho
O aroma invade o ambiente
Não existo neste sublime momento
Apenas tuas divagações, teu olhar
No vazio que penso existir em ti, ris
Uma leve esperança me excita
Um beijo em tua face, lágrimas caem
Em profundos soluços, te explodes
O chá esfria, frios são teus lábios
Que tentam retribuir o beijo, choro
Atônitos, com nossas faces úmidas
Como a indagar o tempo, rimos
Gargalhamos muito, nova explosão
Uma dança frenética se inicia, gritos
Nossos corpos balançando pra lá,
Pra cá, uma dor de existirmos assim
Suados e cansados, desabamos
Na cadeira nossos novos momentos
Fito teus olhos, não me vejo neles
Desviados para uma formiguinha
Sedenta de um chá frio, tenso
Trêmulos dedos esmagam o inseto
Com incomum força, cai a xícara
Tapas os ouvidos, escândalo agora
Os cabelos em desalinho, casa a dentro
Janelas se fecham, luzes se apagam
Na escuridão clamas por morte, sol